"A minha mente tem a história que tem"

Posted on Quinta-feira 15 Julho 2010

Lutou décadas contra a esquizofrenia - e acabou por vencê-la. Chama-se John Nash e é o génio matemático que inspirou o filme Uma Mente Brilhante

A conversa não é o seu forte. Fala lentamente e com alguma dificuldade na articulação das palavras. Umas vezes hesita, outras responde ao lado. Por vezes demonstra um sentido de humor que não chega a sê-lo completamente - e que talvez nem o seja de todo.

A sua mente só pode ser brilhante - uma beautiful mind, como reza o título original da aclamada biografia que a jornalista Sylvia Nasar publicou em 1998, e que por sua vez inspirou, em 2001, o filme homónimo de Ron Howard, com Russell Crowe no papel principal. Só assim é que se explica a extraordinária história de John Nash.

Nascido em 1928 nos Estados Unidos, Nash doutorou-se em 1950 pela Universidade de Princeton com uma tese de apenas 27 páginas que viria revolucionar a área matemática da Teoria dos Jogos. O “equilíbrio de Nash”, que ele definiu nessa altura, faz hoje parte do vocabulário corrente desta disciplina científica.

A partir de finais dos anos 50, Nash desenvolveu esquizofrenia paranóide. A sua vida familiar e a sua carreira como matemático (já era considerado um génio por alguns) foram tragicamente truncadas. Perdeu o emprego, divorciou-se da mulher, Alicia, foi hospitalizado, medicado e tratado à força. Tornou-se um espectro de si próprio. Mesmo assim, durante os raros intervalos livres de delírio, continuou a fazer matemática de grande qualidade.

Nos anos 1970, Alicia voltou a acolhê-lo em sua casa (mais tarde voltariam a casar) e Nash regressou a Princeton. Passava o tempo a gatafunhar misteriosos códigos numéricos nos quadros e tornou-se conhecido como o “fantasma de Fine Hall” (o edifício do departamento de Matemática).
A partir de finais dos anos 1980, depois de 30 anos mergulhado nos delírios da esquizofrenia, começou a melhorar e em 1994 recebeu o Prémio Nobel da Economia.

Nash esteve esta semana em Portugal para participar na 24.ª Conferência Europeia de Investigação Operacional, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Na segunda-feira à tarde, deu uma conferência na Aula Magna e, no sábado anterior, falou ao PÚBLICO sobre o seu singular percurso de vida e o seu trabalho científico passado e actual.

Revê-se na personagem interpretada por Russell Crowe no filme Uma Mente Brilhante, de Ron Howard? A história do filme é próxima da verdade ou muito afastada dela?
O filme é uma ficção selectiva, mas não está completamente afastada da realidade. Alicia e eu fomos consultados - isso fazia, aliás, parte do contrato do filme. Portanto, eles tinham licença artística, mas isso não tornou a história completamente fictícia.
Não diria que me revejo nele. O filme não diz absolutamente nada sobre os meus anos de formação, antes da minha chegada à Universidade de Princeton.

O seu contributo para a Teoria dos Jogos foi muito importante. O que é a Teoria dos Jogos?
A expressão “teoria dos jogos” é uma descrição popular. A mesma área científica poderia ter tido outro nome. A Teoria dos Jogos foi desenvolvida com a publicação de um livro [em 1947], por John von Neumann e Oskar Morgenstern, intitulado em inglês Theory of Games and Economic Behavior (Teoria dos jogos e Comportamento Económico), que se tornou muito influente. Mas Von Neumann já tinha publicado na Alemanha em 1928 - o ano em que eu nasci - um artigo intitulado Zur Theorie der Gesellschaftsspiele, que significa “jogos sociais”. E antes disso, tinha sido publicado em França um artigo com théorie du jeu no título. Von Neumann também publicou uma nota [em 1928] na Comptes Rendus de l’Académie des Sciences onde falava de théorie des jeux. Foi assim que o nome ficou.

É algo que permite a modelização matemática de comportamentos sociais e económicos?
Sim, mas com a ênfase nas escolhas alternativas e na ideia de estratégia - uma palavra de origem grega que significa a escolha de uma política. Há estratégia no xadrez e noutros jogos. Pode haver uma estratégia no futebol.

Só que, aí, as estratégias têm como objectivo fazer com que o outro perca.
É o que chamamos um jogo de “soma zero”. Todos os jogos de entretenimento e desportivos são desse tipo. Também podem ser de “soma constante”, com um certo benefício para ambos os lados, como a final de um Mundial de futebol - mas onde o vencedor beneficia mais do que o outro.

E também há jogos onde todos perdem…
Sim, são os jogos de soma negativa. Por exemplo, podemos imaginar uma situação em que uma prisão obriga prisioneiros a entrar num duelo onde apenas um irá sobreviver.

No filme, há uma cena onde a sua personagem está à procura da solução para o problema dos jogos ditos não-cooperativos. Estão num bar, há um grupo de raparigas e o protagonista percebe de repente que…
Deixe-me interromper. A teoria dos jogos no filme não está nada bem apresentada. O argumentista não era um perito em teoria dos jogos.

O seu contributo para a teoria dos jogos é hoje conhecido como “equilíbrio de Nash” e mudou a maneira de fazer teoria dos jogos aplicada à economia. O que é o equilíbrio de Nash?
O equilíbrio de Nash define-se em termos de estratégias, do conceito de estratégia do jogador. Temos dois, três ou mais jogadores. Cada jogador tem um número finito de acções ou estratégias “puras” pelas quais pode optar, fazendo isto ou aquilo. Mas também existem estratégias mistas, que são planos baseados numa mistura de estratégias puras, em que uma certa probabilidade de ser escolhida é atribuída a cada estratégia pura.
Assim, se um jogador tiver três escolhas possíveis, três acções puras entre as quais optar, poderá optar por uma delas com uma probabilidade de 20 por cento, pela segunda com 50 por cento e pela terceira com 30 por cento, o que dá 100 por cento. E o conjunto das estratégias mistas dos jogadores apresenta um equilíbrio quando nenhum dos jogadores pode mudar de estratégia e aumentar os seus benefícios. O benefício tem de ser calculável a partir da estratégia mista em questão. Calcula-se o benefício previsto para todos os jogadores e cada jogador olha para a sua fatia.

Quando duas empresas competem pelo mesmo mercado, usam a sua teoria para ver se compensa produzir mais ou menos, ou subir ou descer os preços?
Essa é considerada uma óptima área de aplicação da teoria. Existe uma abordagem clássica que é equivalente a uma análise de teoria dos jogos em certos casos especiais. É o chamado equilíbrio de Cournot. É um conceito certamente mais antigo do que o equilíbrio de Nash, mas é um caso particular. Augustin Cournot, economista francês do século XIX, considerou o caso em que duas empresas produziriam algo para o mesmo mercado - dois grandes produtores de leite, por exemplo.
Se uma dada quantidade de leite é produzida, pode ser vendida por um certo preço; se produzirem mais, não vão conseguir vender o leite por um preço tão bom. Por outro lado, se produzirem menos, o preço sobe, mas também há um limite. E se produzirem muito pouco, pode ser preciso importar leite.
Pode então existir um equilíbrio de Cournot em que cada um deles produz uma certa quantidade do produto - e em que nenhum deles pode produzir mais ou menos e obter uma vantagem. Mas, aqui, trata-se de um jogo não-cooperativo com dois jogadores onde o equilíbrio reside numa estratégia pura.

No caso do equilíbrio de Nash, as estratégias são mais complexas…
Podem ser mistas. Por exemplo, se os produtores produzirem produtos diferentes [para o mesmo mercado], podem ter uma estratégia secreta - podem decidir que, durante um ano, só vão produzir uma certa quantidade desse produto. Podia ser a Apple a decidir produzir uma certa quantidade de iPods ou de Macintosh. O outro lado pode não conhecer o plano, mas precisa de ter um plano em que preveja o que pode acontecer - e pode tomar uma decisão ao acaso, de última hora, para surpreender os rivais.

E em casos deste tipo, você provou que também existe uma situação de equilíbrio, que é calculável?
Há um equilíbrio desde que se consiga determinar a função [a fórmula matemática] que determina os benefícios. Em princípio, é possível calculá-lo.

Existe software que as empresas usam para fazer este tipo de previsão?
Nem por isso. Existe há já uns tempos algum software de teoria de jogos, mas é mais útil do ponto de vista teórico. Há coisas que apenas são usadas ao nível do ensino académico.

Ou seja, a sua teoria é mais uma ferramenta para os especialistas do que uma ferramenta prática, concreta, para o mundo empresarial?
Qualquer teoria, seja ou não económica, é em grande parte utilizada apenas ao nível académico. O que os responsáveis empresariais fazem na prática costuma ser algo diferente daquilo que aprenderam quando estudaram teoria económica. Quando uma pessoa se torna efectivamente um banqueiro, tem de tomar decisões práticas - e isso não é algo que se possa fazer utilizando apenas o que se ouviu e aprendeu nas aulas.

No que respeita à actual crise económica, houve claramente um descontrolo das bolsas, dos especuladores. Não poderia isto ter sido previsto a partir de teorias como a sua? Como é que não se previu o que ia acontecer?
Não é verdade que ninguém tenha visto o que ia acontecer. Existem muitos livros sobre pânicos e crises. Quando olhamos de perto para a História, vemos que este tipo de pânico é bastante frequente. Não há assim tanto tempo houve um pânico na Tailândia; afectou a Ásia por volta de 1999. E há casos extremos como o da Argentina. Um país é como um banco e pode ir à falência.

Contudo, a crise do sub-prime de 2008 parece ter sido uma situação em que as pessoas ficaram tão gananciosas que não se importavam com as consequências.
O facto é que não há investimento sem especulação. As pessoas que pensam estar a investir de forma conservadora podem na realidade estar a correr mais riscos do que imaginam.
Não me parece que possa haver capitalismo sem riscos nos investimentos. Investir sem riscos talvez seja possível numa situação de socialismo estrito - onde o Plano controla tudo e não pode haver bolhas especulativas. Isso poderia tornar a economia muito lenta.

Por que é que a sua teoria foi considerada pouco ortodoxa na altura em que a desenvolveu em Princeton?
Não consigo responder muito bem a essa pergunta. Depende da maneira de olhar para as coisas. É verdade que eu fui mais longe do que Von Neumann e Morgenstern. Mas não foi tanto o equilíbrio de Nash [nos jogos não-cooperativos] que foi considerado pouco ortodoxo, foi a minha teoria da cooperação aplicada aos jogos com duas pessoas, que é bastante diferente da ideia que eles tinham dos jogos cooperativos.

Mais próxima da realidade?
A área dos jogos cooperativos é muito complexa. Eu não fui para além de dois jogadores (duas partes). Mas a área dos jogos com mais de duas partes constitui um desafio muito interessante. Aliás, é a minha área de investigação actual. As minhas ambições são algo limitadas, porque posso não viver para sempre [ri-se] e este tipo de teoria pode levar muito tempo a desenvolver.

Descida ao fundo da loucura

Lutou durante várias décadas contra a doença mental. Pode falar do que lhe aconteceu?
Fui diagnosticado como esquizofrénico. Tinha ideias delirantes e irracionais.

Tinha alucinações visuais?
Não. Algumas formas de delírio são menos comuns do que se poderia pensar. É o caso das alucinações visuais. Podem acontecer, mas são raras na esquizofrenia. Isso surge no filme porque a mãe do argumentista tinha problemas psiquiátricos. E, de facto, ilustra muito bem a natureza do pensamento delirante.
Quanto às ideias da conspiração e dos russos, das mensagens em código, algumas dessas coisas correspondem efectivamente ao meu padrão de doença. A ideia de ser capaz de ler mensagens secretas nos jornais, esse era o tipo de pensamentos que eu tinha. Mas não tinha alucinações visuais. Nunca tive um companheiro de quarto imaginário [ri-se].

Nos anos 1980, a doença começou a regredir. Sente-se limitado pela forma racional de pensar que recuperou?
Quando as pessoas têm ideias delirantes, isso pode aumentar a sua auto-estima e fazê-las sentirem-se melhores. No meu caso, os meus pensamentos acentuavam a minha importância. Tinha um ideia imaginária de quão importante eu era em relação à sociedade. Mas era uma importância secreta [ri-se], algo que não costumava ser publicado nem reconhecido.

Pensava que estava a salvar o seu país de uma conspiração comunista?
Isso é o filme. Não era o que eu pensava. Eu não era nacionalista. A minha ideia de ser importante correspondia mais a ser alguém como o Dalai Lama ou o Papa.

O génio científico anda de mãos dadas com uma certa peculiaridade de pensamento?
Esse é um terreno perigoso. Newton, por exemplo, desconfiava muito dos outros e, a dada altura, parecia psicótico em relação a alguns temas. Nunca foi casado, teve uma vida invulgar e fez experiências de alquimia. Também tinha escritos sobre a religião e as ideias religiosas que eram em parte convencionais para a época, mas também bastante impróprias. Mas quem pode dizer exactamente o que são a doença e a saúde mental?

Continua a fazer algum tratamento?
Não. Fui tratado contra a minha vontade quando estive hospitalizado. É difícil saber se há uma recuperação total quando a pessoa está a tomar medicamentos. Pode ser que haja muita gente em recuperação no mundo que toma pequenas quantidades de remédios quando na realidade não precisa de tomar nada. E que funcionaria melhor se não os tomasse. Mas depende do tipo de medicamento.

Sempre recusou as hospitalizações.
Não há hospitais psiquiátricos bons.

Como saiu da doença?
Eu não aceitava a ideia de ser doente mental. Pensava que o meu delírio era em parte verdade. Em termos políticos em particular. Mas, a dada altura, comecei a rejeitar algumas áreas do pensamento político, em particular as ideias políticas relacionadas com a China.
O meu pensamento político em relação à China tinha a ver com a existência de Taiwan, Hong Kong e Macau, que os portugueses conhecem bem [ri-se] - com Taiwan em especial. Aquilo era bom, era mau? Eu elaborava ideias, imaginava coisas, conceitos secretos.

E rejeitou essas ideias.
Achei que era muito difícil pensar sobre a China, que não conseguia ter boas ideias. E a dada altura percebi que era possível pensar em termos mais simples, em termos de valores humanos. Eu não era capaz de reflectir sobre matérias essencialmente políticas - e, por isso, seria mais lógico não pensar nas políticas. E comecei a deixar de pensar em todo o tipo de ideias políticas que pudessem estar baseadas em conceitos imaginários.

Deixou de preocupar-se com elas?
No fundo, acabei por perceber que eu não tinha nenhuma importância política. O Dalai Lama pode ter alguma importância política, mas eu… [ri-se].

A sua importância situa-se a outro nível.
Sim. De facto, também comecei a ver algumas referências interessantes ao meu trabalho na literatura científica - a ver o equilíbrio de Nash mencionado com muita frequência. Vi o meu nome ligado a isso, o que me estimulou a pensar mais em termos da minha história científica.

E começou novamente a trabalhar.
Não foi assim tão simples, mas, em 1995, na sequência do Prémio Nobel, deram-me um gabinete e um cargo de senior research mathematician na Universidade de Princeton, que ainda hoje mantenho.

Qual é o objectivo da sua investigação actual?
Estou a trabalhar numa nova abordagem da teoria dos jogos cooperativos, que tem a ver com a ideia de evolução natural, de evolução da cooperação.

E vai publicar alguma coisa em breve?
Já tenho uma publicação e é disso que trata a minha conferência em Lisboa. E há mais para vir, se viver o suficiente e dependendo da rapidez com que as coisas avancem. Talvez volte a ter pessoas a trabalhar comigo, no âmbito de um projecto científico patrocinado pela National Science Foundation (NSF) que já foi oficialmente aprovado. Actualmente, trabalho sozinho, mas tive assistentes durante uns tempos, até à publicação do último trabalho.

Acha-se livre da esquizofrenia?
Estou livre de sintomas diagnosticáveis. A minha mente tem a história que tem, mas não estou louco. Não pertenço a um asilo de lunáticos.

Por Ana Gerschenfeld

http://economia.publico.pt/Noticia/a-minha-mente-tem-a-historia-que-tem_1447076

Administrator @ 10:47 am
Arquivado sob: Notícias em Português and publico.pt
Creative minds 'mimic schizophrenia'

Posted on Sábado 29 Maio 2010

Salvador Dali
Artist Salvador Dali is known for his surreal paintings and eccentric personality
Creativity is akin to insanity, say scientists who have been studying how the mind works.

Brain scans reveal striking similarities in the thought pathways of highly creative people and those with schizophrenia.

Both groups lack important receptors used to filter and direct thought.

It could be this uninhibited processing that allows creative people to “think outside the box”, say experts from Sweden's Karolinska Institute.

In some people, it leads to mental illness.

But rather than a clear division, experts suspect a continuum, with some people having psychotic traits but few negative symptoms.

Art and suffering

Some of the world’s leading artists, writers and theorists have also had mental illnesses - the Dutch painter Vincent van Gogh and American mathematician John Nash (portrayed by Russell Crowe in the film A Beautiful Mind) to name just two.

Creativity is known to be associated with an increased risk of depression, schizophrenia and bipolar disorder.

Thalamus
The thalamus channels thoughts
Similarly, people who have mental illness in their family have a higher chance of being creative.

Associate Professor Fredrik Ullen believes his findings could help explain why.

He looked at the brain's dopamine (D2) receptor genes which experts believe govern divergent thought.

He found highly creative people who did well on tests of divergent thought had a lower than expected density of D2 receptors in the thalamus - as do people with schizophrenia.

The thalamus serves as a relay centre, filtering information before it reaches areas of the cortex, which is responsible, amongst other things, for cognition and reasoning.

"Fewer D2 receptors in the thalamus probably means a lower degree of signal filtering, and thus a higher flow of information from the thalamus," said Professor Ullen.

" Creative people, like those with psychotic illnesses, tend to see the world differently to most. It's like looking at a shattered mirror "

Mark Millard, UK psychologist

He believes it is this barrage of uncensored information that ignites the creative spark.

This would explain how highly creative people manage to see unusual connections in problem-solving situations that other people miss.

Schizophrenics share this same ability to make novel associations. But in schizophrenia, it results in bizarre and disturbing thoughts.

UK psychologist and member of the British Psychological Society Mark Millard said the overlap with mental illness might explain the motivation and determination creative people share.

"Creativity is uncomfortable. It is their dissatisfaction with the present that drives them on to make changes.

"Creative people, like those with psychotic illnesses, tend to see the world differently to most. It’s like looking at a shattered mirror. They see the world in a fractured way.

"There is no sense of conventional limitations and you can see this in their work. Take Salvador Dali, for example. He certainly saw the world differently and behaved in a way that some people perceived as very odd."

'TROUBLED' GENIUSES
- Writer Virginia Woolf
- Painter Vincent van Gogh
- Painter Salvador Dali
- Painter Edvard Munch
- Composer Robert Schumann
- Mathematician John Nash
- Pianist David Helfgott

He said businesses have already recognised and capitalised on this knowledge.

Some companies have "skunk works" - secure, secret laboratories for their highly creative staff where they can freely experiment without disrupting the daily business.

Chartered psychologist Gary Fitzgibbon says an ability to "suspend disbelief" is one way of looking at creativity.

"When you suspend disbelief you are prepared to believe anything and this opens up the scope for seeing more possibilities.

"Creativity is certainly about not being constrained by rules or accepting the restrictions that society places on us. Of course the more people break the rules, the more likely they are to be perceived as 'mentally ill'."

He works as an executive coach helping people to be more creative in their problem solving behaviour and thinking styles.

"The result is typically a significant rise in their well being, so as opposed to creativity being associated with mental illness it becomes associated with good mental health."

by Michelle Roberts

http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/10154775.stm

Administrator @ 9:01 am
Arquivado sob: News in English and news.bbc.co.uk
Video: Esquizofrenia, quem és tu?

Posted on Quinta-feira 27 Maio 2010

A GMRtv entrou no mundo da desordem cerebral crónica e recolheu depoimentos de vimaranenses com esquizofrenia. Conheça as histórias de quem luta diariamente contra si mesmo.

http://www.gmrtv.pt

Administrator @ 12:10 pm
Arquivado sob: Notícias em Português
Video: A Lucidez da Loucura

Posted on Sábado 15 Maio 2010

Pela primeira vez, na televisão portuguesa, uma reportagem mostra como se vive dentro do Hospital Júlio de Matos. O dia a dia dos doentes. As angústias, as alegrias, a loucura, mas também a grande lucidez com que falam das suas vidas.

"A Lucidez da Loucura" é uma viagem ao interior do Hospital Júlio de Matos, guiada pela…s pessoas que lá vivem, algumas há dezenas de anos. Como o Manuel que já não se lembra da vida que deixou cá fora. O Paulo, que já se tentou suicidar sete vezes. A Firmina e o João que todos os fins de tarde se encontram para namorar. E o Nuno, que há 55 anos ocupa um quarto e só pede à vida que o deixe lá continuar.

As frustrações e os sonhos de quem há muito aprendeu que a lucidez pode ser muito mais dolorosa do que a loucura.

"A Lucidez da Loucura" é uma reportagem da jornalista Cristina Boavida com imagem de Jorge Pelicano e montagem de Rui Rocha.
Grande Reportagem SIC

http://sic.sapo.pt/online/noticias/programas/reportagem+sic/Artigos/A+Lucidez+da+Loucura.htm

Administrator @ 6:32 pm
Arquivado sob: Notícias em Português and sic.pt
Psiquiatra português desfaz mitos sobre «Uma mente brilhante»

Posted on Quinta-feira 8 Abril 2010

Livro Esquizofrenia de Pedro Afonso
Livro «Esquizofrenia» já nas livrarias
Há quem, na mente, esconda segredos bem guardados – uma psicose, um brilhantismo caótico ou até a simples alienação. A esquizofrenia é desordem cerebral crónica grave e destabilizadora, mas "não tem de ser incapacitante", assegura Pedro Afonso no seu livro, recentemente publicado sob a chancela da Princípia Editora e já nas livrarias.

Trata-se de uma desorganização ampla dos processos mentais e ainda "não existem evidências de factores causadores da doença; por isso, continua a encerrar vários mistérios, nomeadamente sobre a sua origem", segundo assinalou o médico psiquiatra em entrevista ao «Ciência Hoje», mas que foi derrubando tabus à medida que a conversa se foi desenrolando.

A obra «Esquizofrenia» contém referências bibliográficas actualizadas, de forma a responder a todas as dúvidas sobre a doença; assim como "desfazer mitos que lhe são associados e que pioram o estigma social, dificultando a reabilitação dos doentes", explicou ainda o autor. É uma publicação que procura "conciliar o rigor técnico e científico com um forte sentido prático, para o público interessado", sejam estes doentes, familiares ou até pessoas ligadas à área.

Para além de atender às questões mais frequentes – "Como a controlar? O que fazer perante o diagnóstico? Quais os tratamentos? Quais as causas que levaram ao seu aparecimento? Como lidar com um doente esquizofrénico?", entre outras –, o livro ainda integra contactos de apoio e informação de todo o país e ilhas.

As funções intelectuais do afectado são perturbadas e isso pode acarretar rapidamente a alienação de tudo o que se passa à sua volta. "O fundo é o paradigma da loucura e é nesse sentido que comporta mitos intemporais", continuou, acrescentando: "É como se o homem perdesse as suas características humanas transformando-se em algo bizarro".

Pedro Afonso
Pedro Afonso, médico psiquiatra no Hospital Júlio de Matos
Pedro Afonso sublinhou, no entanto, que um esquizofrénico pode, de facto, levar uma vida praticamente normal, desde que medicado. Com apoio, "é possível que muitos doentes voltem a estudar e a ter uma profissão". O autor ressalvou que existem diferentes espectros de gravidade – uns podem ser mais agressivos e evoluem nesse sentido e outros, menos graves, conseguem levar uma vida construtiva. "Sendo assim, vale a pena falar em "esquizofrenias" (no plural)", enfatizou.

Antipsicóticos e dopamina

"Tem havido um avanço a nível de antipsicóticos atípicos, com menos efeitos secundários", disse. Na fase residual da doença, os sintomas – classificados de "negativos" – são frequentemente "o isolamento, a apatia, a dificuldade em planear tarefas e um nível afectivo "apagado"". Já na fase aguda – onde as manifestações são conhecidas como "sintomas positivos" – surgem as alucinações, as ideias delirantes, desordens no pensamento e no movimento.

Os primeiros são mais difíceis de reconhecer e podem ser confundidos com preguiça ou depressão; assim como os 'sintomas cognitivos', que afectam a atenção, certos tipos de memória e a capacidade de cálculo – sendo estes os mais incapacitantes para levar uma vida normal.

Contudo, é um transtorno psíquico tão complexo que "surge de forma insidiosa, sem que o próprio se aperceba" e o diagnóstico é "por exclusão". A título de exemplo, conta: "Um jovem que consuma haxixe ou cannabis pode desenvolver um quadro muito semelhante ao do esquizofrénico, mormente delírios e alucinações. Se de facto sofrer desta enfermidade, só com o tempo e a paragem do consumo é que se poderá saber se a psicose é induzida, confundindo o médico, ou se realmente evolui" – por já ter uma predisposição latente para a esquizofrenia.

Ian Curtis
Ian Curtis sofria de esquizofrenia
Tal como muitas outras doenças mentais, acredita-se que esquizofrenia seja uma combinação de factores genéticos e ambientais. Existe tratamento (antipsicóticos e terapia psicossocial), mas não há cura e, por isso, os fármacos centram-se apenas na eliminação dos sintomas. Os medicamentos actuam na dopamina (essencialmente, devido ao excesso de dopamina na via mesolímbica e falta dela na via mesocortical) e outros neurotransmissores.

O suicídio

É uma condição psicótica que afecta 60 milhões de pessoas no mundo e já que os principais sintomas incluem: escutar vozes e acreditar que outros estão a ler e controlar os seus pensamentos ou a conspirar para prejudicá-las. Essas experiências são aterrorizantes e podem causar medo, recolhimento ou agitação extrema. Pessoas com esquizofrenia podem falar ou fazer coisas que não fazem sentido, ficarem sentadas horas sem se moverem, falar muito pouco, ou parecer perfeitamente bem até dizerem o que realmente estão a pensar.

Por todas estas razões, é uma doença com elevada prevalência de suicídios – cenário considerado como a situação limite. "O sofrimento em termos psíquicos, na sequência de alucinações (vozes que ouvem e que lhes dizem o que fazer) é demasiado angustiante".

Exemplos conhecidos são os de Ian Kevin Curtis (Julho de 1956 - Maio de 1980), vocalista, compositor, guitarrista ocasional da banda Joy Division, assim como um dos fundadores, suicidou-se em casa aos 24 anos. Também Van Gogh (Março de 1853 - Julho de 1890), aclamado pintor holandês, considerado o pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas e cujo talento só foi reconhecido após a sua morte, sucumbiu à doença, suicidando-se aos 37 anos.

Pedro Afonso salientou igualmente que estes doentes são inimputáveis – porque perdem o discernimento sobre a realidade e a capacidade de distinguirem o lícito do ilícito. Experienciam "uma vivência delirante de perigo iminente" e podem agredir qualquer pessoa quando se encontram "em contexto psicótico" ou sentirem que "devem andar armados para se defenderem".

John Nash em filme
John Nash retratado no filme «Uma mente brilhante»
O doente e o mito

O médico psiquiatra desfaz outro dos mitos, referindo que não é uma maleita associada à genialidade ou a mentes criativas, ou seja, "é uma doença transversal que pode afectar qualquer pessoa, de todos os quadrantes sociais, raças ou capacidades intelectuais".

Se nos lembrarmos de John Nash, matemático norte-americano retratado no filme «Uma Mente Brilhante» (A Beautiful Mind), foi professor e Prémio Nobel da Economia que apesar do desafio de conviver por toda a vida com os sintomas típicos, foi um intelectual importante e deixou grandes contribuições às áreas de economia, biologia e teoria dos jogos. Depois de 1970, à sua escolha, deixou a medicação antipsicótica. Segundo Nasar, biógrafa de Nash, este Nobel começou a desenvolver uma recuperação gradativa. Contudo, "a doença não esteve relacionada com o seu elevado nível intelectual", como afirmou o especialista.

Apesar das várias hipóteses de explicação sobre a origem da esquizofrenia, nenhuma delas individualmente consegue dar uma resposta satisfatória. Pedro Afonso aconselha: "Em caso de dúvida, deve ser-se observado por um médico, antes que seja diagnosticada tardiamente".

 

Por Marlene Moura

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=41490&op=all

Administrator @ 7:55 pm
Arquivado sob: Notícias em Português and cienciahoje.pt
PORTUGAL: Doenças mentais têm custos altos

Posted on Quinta-feira 25 Fevereiro 2010

As pessoas com doenças psiquiátricas, que afectam todos os anos 12% da população europeia, perdem anualmente entre 70 e 140 dias de trabalho, o que representa "custos enormes", segundo o coordenador nacional da saúde mental.

"A maior parte dos custos deve-se à perda de produtividade", afirmou o comissário do Fórum Gulbenkian da Sáúde, na sessão de abertura da conferência subordinada ao tema "Mind Faces - As diferentes faces da saúde mental", a decorrer em Lisboa.

A Comissão Europeia estima que os países europeus gastem três a quatro por cento do Produto Interno Bruto (PIB) devido às consequências destas doenças.

Presente no fórum, a ministra da Saúde, Ana Jorge, acrescentou que as doenças mentais são responsáveis por elevados custos para a sociedade, em termos de incapacidade individual e diminuição de produtividade no trabalho.

As doenças mentais são responsáveis por 24% do tempo de vida perdido (do total de todas as doenças), porque as pessoas morreram prematuramente ou ficaram incapacitadas.

- Cinco barreiras
APOIO POLÍTICO ESCASSO
O apoio político para as doenças psiquiátricas é baixo, tanto em Portugal como no resto do Mundo.

CENTRALIZAÇÃO DE RECURSOS
Em Portugal, 83% dos recursos estão centrados nas grandes instituições hospitalares, nos centros urbanos.

DIFICULDADES DE INTEGRAÇÃO
Caldas de Almeida, coordenador nacional da saúde mental, aponta ainda dificuldades de integração da saúde mental nos cuidados primários.

FALTA DE SENSIBILIDADE
Há falta de sensibilidade dos líderes da saúde mental para a saúde pública.

POUCO INVESTIMENTO
Há pouco investimento em serviços especializados de saúde mental mais próximos da população.

Caldas de Almeida ressalvou que estes dados são a nível europeu e anunciou que, no dia 23 de Março, será apresentado o primeiro estudo nacional de saúde mental em Portugal.

"A magnitude dos problemas de saúde mental em Portugal, bem como o seu impacto e a forma como são tratados pelos serviços vão ser conhecidos pela primeira vez", sublinhou.

Apesar de os dados do estudo ainda estarem a ser analisados, o psiquiatra avançou que os resultados são semelhantes aos dos países europeus.

Um estudo com metodologia semelhante feito em seis países europeus revela que há uma percentagem significativa de doenças psiquiátricas: 26% das pessoas sofrem deste problema ao longo da vida e 12% no último ano.

O coordenador do Plano Nacional de Saúde Mental salientou que, apesar de todos os avanços registados nesta área, há resultados "muito preocupantes". Um estudo recente mostrou que 48% das pessoas que necessitariam de cuidados não têm acesso aos tratamentos de saúde mental, enquanto, por exemplo, apenas 8% dos diabéticos estão nesta situação.

O apoio político para estas doenças é baixo em todo o mundo e a maior parte dos serviços estão concentrados nos centros urbanos.

Administrator @ 3:58 pm
Arquivado sob: Notícias em Português
Expectant mom's flu exposure stunts baby's brain development

Posted on Segunda-feira 25 Janeiro 2010

MADISON - For expectant mothers, catching even a mild case of the flu could stunt brain development in their newborns, according to a new study conducted in rhesus macaques.

Writing in the most recent online edition (Jan. 22) of the journal Biological Psychiatry, a team led by Christopher Coe of the University of Wisconsin-Madison reports that flu infections in pregnant monkeys resulted in significant reductions in gray matter in baby monkeys, particularly in areas that in humans are associated with language, and the combining of information from different senses.

"The effects were greater for gray matter, which reflects cell number and size in the cortex, but we did see some reductions in white matter, too," explains Coe, a UW-Madison professor of psychology and the director of the Harlow Center for Biological Psychology.

The new findings are telling because they demonstrate that risk to expectant mothers from common disease can shape postnatal development and elevate the risk of behavioral and psychiatric disorders later in life. It has been estimated that as many as 11 percent of pregnant women become infected with influenza during pregnancy.

In the year-old offspring of animals exposed to a strain of seasonal flu that also commonly infects humans, the team led by Coe found a 4 to 7 percent reduction in the number of cells in regions of the brain that compose the cerebral cortex compared to animals who’s mothers did not have an infection during pregnancy.

Finding the differences in brain size still present at 1 year of age, Coe notes, suggests the effect may be permanent. "Our feeling is that if it is still there at 1 year, it’s not going to go away," he says.

The study, which was conducted in collaboration with Sarah J. Short and John Gilmore from the University of North Carolina at Chapel Hill, is suggestive that flu exposure in utero may contribute to developmental and psychiatric conditions such as autism and possibly to schizophrenia later in life.

"We think the causation (of the reduction in brain volume) is the mother’s response to the infection and that it may skew the developmental trajectory of the brain," Coe explains. "It’s a cautionary tale for humans, especially in the context of clinical studies in people and what we know from studies of rodents."

Coe and his colleagues, including Christopher Olsen from the UW-Madison School of Veterinary Medicine, speculate that the flu infection affects the developing fetus indirectly through the mother’s inflammatory and immune response to the virus. In primates, including humans, the inflammatory response is more pronounced in the third trimester of pregnancy, the time when the animals in the new study were infected.

The take-home message of the research, Coe argues, has compelling public health implications: Pregnant women or those who expect to conceive during flu season should be vaccinated. Flu vaccinations are widely regarded in the medical community and by the U.S. Centers for Disease Control (CDC) as safe for pregnant women.

"The safe thing to do is to get vaccinated," says Coe. "This study would say that’s the smarter and healthier choice."

http://www.news.wisc.edu/releases/15784

Administrator @ 3:11 pm
Arquivado sob: News in English and wisc.edu
Portugueses com taxa elevada de perturbações mentais

Posted on Sábado 23 Janeiro 2010

Quase 23% dos portugueses tiveram uma doença mental nos 12 meses anteriores ao inquérito que deu origem ao primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, apresentado hoje, terça-feira, em Lisboa. Os resultados colocam Portugal com as taxas mais elevadas na Europa.

Os resultados surpreenderam o responsável pelo documento, Caldas de Almeida, que apontou ainda uma "prevalência altíssima" de quase 43% de portugueses que sofreram de perturbações mentais ao longo da vida.

O mesmo responsável sublinhou que 33,6% de perturbações graves não tiveram qualquer tratamento e que das acompanhadas, 38,9% ocorreram em serviços especializados em Saúde Mental, enquanto 47,1% foram acompanhadas em Medicina Geral.

"Estes dados têm implicações políticas. Têm de ser pensados e aprofundados", afirmou Caldas de Almeida, na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde decorreu a apresentação do estudo.

O também Coordenador Nacional das Doenças Mentais admitiu que estava à espera de uma percentagem alta, mas não de 23%, um valor que coloca Portugal no topo entre os países europeus e próximo dos Estados Unidos (26,4%).

Este estudo insere-se num consórcio internacional, que inclui a Organização Mundial de Saúde e a Universidade de Harvard, responsável pela realização de inquéritos semelhantes em diversos países, para comparação de resultados e desenvolvimento de um estudo genético internacional.

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1526364

Administrator @ 3:42 pm
Arquivado sob: Notícias em Português and jn.pt
Medical Mystery: A Girl Loses Her Mind

Posted on Quarta-feira 13 Janeiro 2010

Doctors couldn’t explain this 16-year-old’s bizarre neurological and psychiatric symptoms.

New York University neurologist Souhel Najjar specializes in solving puzzling cases that other doctors have given up on. Last August he took on one of the most challenging cases of his career.

He saw a 19-year-old girl who had been an honor student before experiencing a bizarre decline that caused her to drop out of school a year later. Five neurologists, a speech pathologist and three psychiatrists failed to figure out the source of the problem, even as the girl suffered hallucinations, strange trances and severe learning problems.

The trouble began in the spring of 2007, when the girl was a 16-year-old high school student. One evening at a dance performance she froze in place.

In June a speech pathologist agreed that her cognitive skills were severely compromised but couldn’t attribute it to a learning disorder.

Soon she became catatonic and unresponsive in class and had difficulty reading. Her grades plummeted. Classmates sometimes found her in the bathroom repetitively pulling on the paper towel dispenser for long periods of time. The right side of her face drooped. "She would often come home from school crying because she felt ridiculed and humiliated," says her mother.

A school psychologist, who felt the girl was mentally disturbed, argued that she should undergo counseling.When her mother declined the counseling and failed to deliver a report from an independent neurologist–an office fire caused delays–the school referred the mother to the child protective services for medical neglect. "They complained that she was ‘faking it,’" says the mother, who wants to remain anonymous.

A Maddening Circle
The mother was cleared of the charges, and by the fall the girl had to drop out of school and start at-home tutoring. Her behavior got progressively stranger. She began laughing at random times. One night at dinner she started hallucinating. Her frightened mother called an ambulance.

Doctors at the hospital diagnosed her with schizophrenia, admitted her to the psychiatric ward and administered various antipsychotic drugs, none of which helped. One doctor told the mother that the hospital was planning on taking the case to probate court to have her daughter committed indefinitely. On her next visit the mother brought an attorney, and the hospital backed down. She was discharged after six weeks, amid conflicting opinions over whether her condition was psychiatric in nature.

One psychiatrist, ironically, said the problem was neurological, but a neurologist said the girl was mentally ill. The results of an electroencephalogram (EEG), a test that measures the electrical activity of the brain, came back normal, as did extensive blood work.

In May 2008 the girl had become so listless that her mother admitted her to NYU’s Langone Medical Center, where neurologists performed extensive tests for epilepsy. Though she had what seemed to be seizures in the past, none occurred while they monitored her. A brain MRI also came back normal. She was discharged.

Clues of a Diagnosis
Her next admission to NYU in August 2009 brought her to the attention of Dr. Najjar. "When I saw her, I was certain that this was not purely a psychiatric disease," he says. "I thought this was a neurological disease with psychiatric symptoms." One clue, says Najjar, was her quick and dramatic descent from honor student to special education student. This downward trajectory is uncommon for patients with a diagnosis of schizophrenia. Schizophrenics usually don’t have neurological symptoms like facial drooping.

When the Body Attacks Itself
Najjar wondered if the young woman was experiencing brain inflammation that had gone undetected by magnetic resonance imaging (MRI). He tested for a variety of rare antibodies, on the hunch that the girl might have some rare sort of autoimmune disease, in which the immune system attacks healthy parts of the body.

Bingo. The test came back positive for antibodies directed against a brain enzyme called glutamic acid decarboxylase (GAD). This enzyme controls the production of a crucial brain chemical called gamma-aminobutyric acid (GABA) necessary for brain cells to communicate properly without getting overly stimulated. When the immune system attacks GAD, it leads to an underproduction of GABA. This imbalance causes a range of symptoms, including seizures, unusual psychiatric behavior and cognitive decline. A brain biopsy confirmed the diagnosis. It found dead nerve cells caused by moderate inflammation, indicating that the antibodies had been attacking her brain for years.

Best Hope for Recovery
Najjar put her on corticosteroids to suppress the inflammation; gave her intravenous immunoglobulin to provide good antibodies to counteract the bad ones and reduce brain inflammation; and took her plasma and replaced it with saline to clear her blood of the harmful antibodies. The girl slowly improved. Today, she is more communicative and alert, and experiences fewer hallucinations. While she will never regain full functioning, the treatment seems to be releasing her from what Najjar describes as a "death sentence while still alive." She has yet to finish high school and still lives with her mother. Najjar says it’s too soon to tell if she’ll be able to attend college and live independently.

A Mystery Illness
GAD autoimmunity is a mysterious disease that affects an unknown number of patients worldwide. Severe cases are very rare, but mild forms may be common. Most patients with child-onset diabetes have antibodies directed against GAD in pancreatic cells.

Little is known about what causes GAD autoimmunity. This girl was the first case Najjar knows of where the condition caused prominent psychiatric symptoms. Since August Najjar has evaluated five similar cases (he will publish the results from the 19-year-old in a medical journal later this year). He suspects that some patients in hospital psychiatric wards could be suffering from an undiagnosed autoimmune disease. "We know those patients are underdiagnosed or undiagnosed," he says.

by Rebecca Ruiz

http://www.forbes.com/2010/01/12/autoimmune-disease-hallucinations-lifestyle-health-medical-mystery.html

Administrator @ 4:00 pm
Arquivado sob: News in English and forbes.com
Família é fundamental no tratamento contra esquizofrenia, diz psiquiatra

Posted on Sexta-feira 6 Novembro 2009

Filme O Solista
O músico portador de esquizofrenia, Nathaniel Ayres Jr (Jamie Foxx), ao lado da irmã no filme O Solista
O Solista, filme de Joe Wright, que estreia nesta sexta-feira, traz à tona a discussão sobre um transtorno ainda cercado de estigmas e incompreensões: a esquizofrenia. Atualmente, a doença crônica mental atinge cerca de 1,8 milhões de brasileiros e é bastante cercada por preconceito.

A esquizofrenia já serviu de tema para outros personagens do cinema, como o papel de um matemático interpretado por Russel Crowe, em Uma Mente Brilhante, ou até no personagem do jovem Tarso, por Bruno Gagliasso, na novela Caminho das Índias. Mais recentemente, outro caso que esteve na mídia, foi de Marcos Silveira Herédia, mais conhecido como o Zina, do programa Pânico na TV. Preso na semana passada por porte ilegal de drogas, Zina é portador de esquizofrenia e chegou a afirmar que toma cerca de 12 remédios por dia para tratar a doença.

Mesmo sendo comentada em algumas obras de ficção, na vida real a doença ainda causa estranhezas. Especialmente para as pessoas próximas do portador de esquizofrenia, que não sabem o que fazer quando passam a notar ações que fogem do normal, como comportamento excêntrico, isolar-se das pessoas e falar sozinho.

Para o psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Andres Santos Junior, a esquizofrenia é uma doença que afeta toda a família. Por isso, o acompanhamento dos familiares no tratamento do paciente é fundamental. "A família mantém a lógica e a coerência com o paciente", disse. Outro ponto importante é que a família não minimize a doença e busque conhecê-la para entender o que o portador está vivenciando. O psiquiatra falou ao Terra para tirar algumas dúvidas sobre a esquizofrenia:

Terra - Na sua opinião, a esquizofrenia é tratada de modo fiel em filmes e novelas, ou esses meios passam uma imagem deturpada da doença?
Andres Santos Junior
- A ficção não tem compromisso com a realidade clínica. Eventualmente há um acerto por proximidade ou experiência do diretor/roteirista. No caso de "O Solista", isso acontece. Não devemos, porém, nos enganar. A doença mental é sempre sem glamour ou benesse. Os personagens de uma obra de arte são simpáticos e charmosos, atraentes e curiosos, iconoclastas e atrevidos, e doentes comuns não "vendem" filmes.

No filme, o personagem se afasta de toda a família e passa a morar na rua. A irmã do protagonista, que não sabe direito o que se passa, nem o procura. Qual a importância da família no tratamento da esquizofrenia?
A família é primordial no tratamento, pois mantém a coerência e a lógica com o doente. É claro que em certas situações a doença se impõe e afasta o doente de todos. Nenhum pai, filho ou irmão optaria pelo sofrimento do seu ente querido. Às vezes é necessária a internação, habitualmente mais curta do que nas décadas passadas, para acalmar e proteger o paciente.

Qual o tratamento mais indicado? A internação na maioria dos casos é a melhor saída?
Não há um padrão, especialmente hoje com as medicações de última geração. Assim como não há duas pessoas iguais, não haverá dois esquizofrênicos iguais. Há de se individualizar e personalizar cada tratamento. Neste ponto de vista, para alguns casos, a internação será necessária, mas para muitos, não. É como o resto da medicina: nem todos os casos de pneumonias necessitam de internação, nem todos de úlceras precisam de cirurgia.

Porque os esquizofrênicos conseguem ter certas aptidões e desenvolvê-las melhor do que outras pessoas?
Esquizofrenia significa "alma partida" ou "fenda da mente". Assim, preservam-se certas funções e outras estão mais comprometidas. Um pianista ou um violinista não perderiam as habilidades de tocar por causa da esquizofrenia, nem um matemático de fazer contas. A doença mental não é criativa, ao contrário limita e restringe possibilidades do doente. A contracultura (movimento dos anos 60) afirmava a genialidade dos "loucos", assim chamados por serem diferentes, o que ficou conhecido como "maluco beleza". Hoje em dia, ninguém negaria a doença, nem os próprios pacientes.

Como reconhecer uma pessoa que sofre de esquizofrenia? Ela pode ser confundida com outras doenças?
A psiquiatria está bem preparada, e paramentada, em relação ao diagnóstico de esquizofrenia. Como em todas as doenças é responsabilidade do médico diagnosticar e estabelecer o projeto de tratamento. Isto não impede a visão multidisciplinar do acompanhamento de um paciente esquizofrênico, onde psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e enfermagem são fundamentais em suas especificidades.

Em que faixa etária é mais comum que a doença se manifeste?
Entre 20 e 40 anos.

Como fazer com o que paciente de esquizofrenia procure ajuda para se tratar?
A esquizofrenia é uma doença cruel, que afasta o indivíduo de outras pessoas. Convencer o doente disto é o primeiro passo para que este aceite suas limitações. A mesma coisa que acontece em outros casos da medicina: temos que convencer o diabético a restringir o açúcar e o hipertenso a não comer sal. Felizmente, com o tratamento adequado, as alterações podem ser temporárias, mas certamente um indivíduo não tratado estará condenado em sua relação com os outros.

O filme
O Solista é baseado em uma história verídica e fala sobre um prodígio da música clássica portador de esquizofrenia, Nathaniel Anthony Ayres (Jamie Foxx), que após passar por uma escola conceituada, vai morar nas ruas. O músico conhece o jornalista Steve Lopez (Robert Downey Jr.) que passa a se interessar por sua história e quer publicá-la no jornal em que trabalha, o Los Angeles Times. Lopez fica sensibilizado com a história de seu novo amigo e faz tudo para ajudá-lo, o que acaba transformando a vida de ambos.

Por Luciana Fracchetta

http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI4085796-EI1497,00-Familia+e+fundamental+no+tratamento+contra+esquizofrenia+diz+psiquiatra.html

Administrator @ 5:31 pm
Arquivado sob: Notícias em Português and terra.com.br
Glenn Close and Family Join Director Ron Howard To Combat Misconceptions About Mental Illness

Posted on Quarta-feira 21 Outubro 2009

LOS ANGELES, October 21, 2009 | SHOOT Publicity Wire | — Oscar® winning director Ron Howard and award-winning actress Glenn Close collaborate to raise awareness of mental illness in the new :30/:60 PSA "Say" for Bring Change 2 Mind. Created by New York ad agency the watsons, the spot was shot in New York’s Grand Central Station and was edited by Matthew Wood of the Whitehouse, Bicoastal/Chicago/London. Music was donated by Grammy® winning singer-songwriter John Mayer. The emotionally compelling PSA seeks to create better public awareness and understanding of the stigma surrounding mental illness.

"One in six adults has a mental illness," says Maggie Monteith, Creative Director and Partner with the watsons. "That’s some 50 million people in the United States alone. Yet the reality is that mental illness is one of the last remaining diseases that people actually get blamed for having. We conceived this spot to take that rather startling statistic and present it in a tangible way. This is what one in six looks like. Glenn and her sister Jessie had the courage and credibility to introduce this reality into the national conversation. And then Ron took the concept and made it as beautiful as it is evocative. Matt and the team at Whitehouse were integral in telling a big story in a matter of seconds."

"The core message is so useful," notes director Howard. "A lot of people will find that it’s a relief to simply acknowledge that mental health issues are something that every family deals with. Yet it clearly remains stigmatized."

"BringChange2Mind" opens on the Great Hall at Grand Central Station during rush hour. As the camera travels through the crowd we see a man and a woman both wearing white t-shirts. As the shot goes in tighter we realize hers says "mom" and his says "schizophrenia". In the next scene, the camera singles out another couple, also wearing white shirts. We see that the man’s shirt says "post traumatic stress disorder" and the woman’s says "battle buddy." The visual technique continues to build momentum as it reveals yet another couple also wearing white shirts. His says "bipolar" hers says "depression."

The final dramatic reveal finds Glenn Close and her sister Jessie wearing the same white shirts. Jessie Close’s shirt says "bipolar" and Glenn Close’s says "sister". The only two people with speaking roles in the PSA, Glenn Close reveals that in this country "One in six adults has a mental illness," with her sister Jessie finishing the sentence, "And we face a stigma that can be as painful as the disease itself." Their courageous revelation is followed by Glenn Close’s nephew Calen wearing a shirt that says "schizophrenia", together with Glenn’s daughter Annie in a shirt that says "cousin" and Glenn’s niece/Jessie’s daughter wearing a shirt that says "sister".

The final scene is a dramatic overhead shot of the Great Hall. We see there are a number of white shirts in the crowd. Suddenly all of them transform color, blending into the crowd as Close implores us to "Change a mind about mental illness, and you can change a life."

The closing transition, seamlessly integrating those with mental illnesses, was executed by Kieran Walsh, creative director at Carbon VFX. The visual effects sequence required on-set supervision with director Ron Howard, and extensive compositing in Flame.

Of his role in the production, Whitehouse film editor Matthew Wood says "Initially, we wanted to build up the idea that this was a normal morning commute in Grand Central Station and then expose the white shirts as contrast to this," adding "It’s very gratifying to work with such an extraordinary talent as Ron Howard in highlighting a relatively unknown statistic about mental illness."

http://bringchange2mind.org/

http://www.shootonline.com/go/index.php?name=Release&op=view&id=rs-web2-713581-1256152580-2

Administrator @ 3:30 pm
Arquivado sob: News in English and shootonline.com
«Ao ver um sem-abrigo penso que poderia ser eu»

Posted on Quinta-feira 15 Outubro 2009

Jamie Foxx, o versátil actor, volta a interpretar um músico real, após ter ganho o Óscar no filme sobre Ray Charles. Agora é um sem-abrigo com esquizofrenia que inspira as ruas com o seu violino. Foxx conta-nos os problemas que teve para se separar da personagem e a admiração pelo co-protagonista, Robert Downey Jr..

Qual foi a primeira coisa que fez após filmar O Solista? Foi difícil separar-se da personagem?
Foi duro. Não quis voltar para a minha casa durante muito tempo. Felizmente comecei outro filme e fui para Filadélfia. A minha casa provocava-me sentimentos estranhos e, por isso, tive quatro meses para me livrar de tudo isso.

Foi difícil por ter ficado ligado à personagem Nathaniel durante tanto tempo?
Não, um actor quer essa ligação. Inicialmente via a personagem à distância. Fui até à Baixa de Los Angeles, observei os homens que ali vivem, nas ruas, e achei incrível. E depois conheci o Nathaniel. Ele sabia que eu era músico, mas só o observei a tocar e imaginei todas as pessoas de que ele falava nas letras- John F. Kennedy, Hoover, Martin Luther King Jr. e Malcolm X. O mais difícil na preparação para o filme foi tocar violino, o meu instrumento é o piano.

Teve terapia na rodagem?
Sim, é verdade e ajudou a ultrapassar dilemas e paranóias que criei. O psicólogo mostrou-me que havia outras pessoas como eu. É que fiquei na personagem durante toda a rodagem, não queria, mas não consegui sair. Até o meu empresário me disse isso e na altura eu não queria reconhecer. Passados uns dias de terminar a rodagem, já comecei a não pensar como o Nathaniel.

Como se deu com Robert Downey Jr.?
Ele é muito melhor do que eu. É mesmo! (risos) E digo isto porque ele consegue fazer tudo sem esforço, e eu não sei como fazê-lo assim. Com o Robert, todos os momentos são autênticos. Tudo foi real. Eu disse-lhe «tu és a maior estrela deste filme!» e ele agia como uma criança à espera do Natal porque o filme Homem de Ferro estava prestes a estrear nessa altura. Tivemos boas conversas e pude vê-lo a entrar no papel - isso foi incrível.

Já viveu nas ruas?
Não, mas na altura em que fiz este filme estava a viver numa zona muito colorida com alguns sem-abrigo e até por estar a fazer este filme fiquei com uma perspecti- va diferente deles. Agora, quando vejo um sem-abrigo na rua penso que poderia ser eu.

O Solista - Foi a esquizofrenia que traiu Nathaniel Ayers, um músico talentoso que teve de desistir da escola de música e destacou-se quando a sua vida foi objecto de artigos de jornal. Esta história real chega agora a filme, abordando a forma como o jornalista Steve (Robert Downey Jr.) descobre um sem-abrigo a tocar violino nas ruas de forma inspiradora. Cria-se uma amizade improvável entre o homem sozinho e o jornalista.

Paramount Pictures | tradução João Tomé

http://www.destak.pt/artigo/42817

Administrator @ 12:00 am
Arquivado sob: Notícias em Português and destak.pt
PORTUGAL: Saúde mental mais acessível

Posted on Domingo 11 Outubro 2009

Cuidados vão seguir critério de proximidade. Portugal com mais riscos entre parceiros europeus.

À parte só vão ficar estruturas para a psiquiatria forense. De resto, todo o apoio a problemas de saúde mental vai ser inserido nos hospitais gerais e centros de saúde, residências e visitas domiciliárias. O plano está completo.

O balanço foi ontem feito, em dia que assinalou mundialmente a saúde mental. Ao cabo de mais de duas décadas, está pronto o "edifício" organizativo que enquadra os cuidados de saúde mental. Em sessão pública, na Fundação Gulbenkian, responsáveis por diversos patamares de decisão no Ministério da Saúde garantiram que agora é que se pode mesmo avançar para a detecção, tratamento e continuidade de cuidados, aproximando a assistência em psiquiatria das populações. A isso vão ser chamados centros de saúde, unidades de saúde familiar e hospitais gerais, estes últimos através de consultas ou também internamento. Acesso fácil consta do compromisso oficial.

Disse-nos Caldas de Almeida, coodenador nacional para a saúde mental, que está agora a ser feito um estudo sobre a prevalência de problemas deste foro na população portuguesa. A este psiquiatra não bastam os indícios revelados pelo consumo elevado de psicofármacos no nosso país. "Em cada cultura as pessoas têm formas diferentes de exprimir as suas queixas", afirma, para referir um estudo europeu. Neste, figuramos como o país de maior risco na Europa. Caldas de Almeida alvitra explicações: "Pode haver componentes a estimular a doença mental; pobres, idosos, mulheres e desempregados estão mais vulneráveis que noutros países."

Cuidados continuados neste plano: isso é o que a reforma dos cuidados em saúde mental procurou estabelecer. A reforma andou em avanços e recuos desde os anos 80, numa perda de tempo que nos distanciou de outros países mais de 20 anos. Pelo meio houve medidas como "o fecho catastrófico dos Centros de Saúde Mental em todo o país", segundo referiu João Sennfeld, psiquiatra que vem prestando assessoria à nova fórmula de assistência, que assenta muito na detecção de problemas pelo médico de família, com referenciação para os especialistas. João Sennfeld enalteceu os planos de formação conjunta entre médicos de família e psiquiatras, previstos ou já em andamento. Mas logo deixou cair um aviso: as Unidades de Saúde Familiar (USF) mostram pouca abertura aos serviços comunitários (os de aproximação aos doentes no seu meio, inclusivé doméstico). E logo deixou outro aviso: "Os nosso médicos não são iguais aos de ortopedia ou cardiologia; não nos podem proibir de sair dos hospitais, precisamos de autonomia". Já antes, Caldas de Almeida defendera aspectos muito práticos: "Precisamos de pessoas que vão a casa do doente, que tenham carro para lá ir e isso não se faz sem condições dignas nem a esmolar um gabinete no Centro de Saúde".

por EDUARDA FERREIRA

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1386770

Administrator @ 12:00 am
Arquivado sob: Notícias em Português and jn.pt
"Acreditava que estava sempre a ser filmado"

Posted on Sábado 10 Outubro 2009

Forte crença constante de estar a ser vigiado levou Jorge de Assis a isolar-se do mundo. Hoje pretende fazer graduação em Matemática.

Durante 13 anos, Jorge Cândido de Assis, portador de esquizofrenia, viveu sem tomar qualquer medicação. Sentiu "a vida a paralisar por causa da doença" e durante seis meses viveu com "a sensação de medo permanente e inexplicável". "Acreditava mesmo que algo de grave ia suceder", disse ao DN.

Aos 45 anos, este brasileiro está medicado, é acompanhado por um terapeuta e diz levar "uma vida como a de qualquer outra pessoa". O testemunho está no livro "Entre a razão e a ilusão", assinado também pelo psiquiatra Rodrigo Bressan e pela terapeuta ocupacional Cecília Cruz Villares, que hoje será apresentado no Porto (ver caixa).

A primeira crise psicótica ocorreu em 1987. "O delírio mais marcante era o de acreditar que era uma reencarnação do filósofo italiano Giordano Bruno", refere. Diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóica, não falava à família da crença por "acreditar que era constantemente perseguido ou filmado". Até no quarto. "Não adiantava dizerem-me que isso era impossível", explica.

Em 2000 teve a terceira crise, a pior. Aí "achava que as coisas que se falavam na televisão tinham que ver comigo" e "não aceitava o argumento de ser muito difícil uma televisão como a Rede Globo preocupar-se com uma única pessoa", descreveu ao DN. "Achava que era o centro da realidade."

Cada vez mais isolado da família, num drama vivido 24 horas por dia, começou a fazer tratamento medicamentoso e a ter apoio terapêutico em Dezembro de 2000. Diz que "foi muito importante a confiança no terapeuta". No início de 2002 começou a fazer terapia ocupacional que "permitiu recuperar e construir novos significados no quotidiano", adianta.

Jorge lembra que o tratamento é para continuar, "sempre acompanhado de conversa com o terapeuta". Em 2001 entrou em Filosofia e tem como "esperança realista fazer a graduação em Matemática". "Quero ser feliz com a vida que tenho", refere, acrescentando ter noção "dos próprios limites".

Cecília Villares explica que o livro é o resultado de um trabalho de equipa que tenta dar a conhecer a esquizofrenia de uma forma "que não apenas técnica". "Com testemunhos das pessoas" afectadas pela doença procurou produzir um livro, juntamente com Rodrigo e Jorge, que pudesse "servir para leigos, doentes, famílias e técnicos", acrescenta.

Filipe Moura, de 30 anos, também portador de esquizofrenia, encontrou na escrita "a forma de libertar a carga negativa" da vida. A semana passada publicou um livro que "reflecte muitas horas de solidão". Um isolamento provocado por uma doença que, diz, o tem feito ser vítima de discriminação da sociedade. "As pessoas associam, mal, a doença um pouco à loucura e à violência", explica.

A nível mundial estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas sofram de esquizofrenia. Um terço da população mundial sofre de uma perturbação mental.

por HELDER ROBALO

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1386361

Administrator @ 12:00 am
Arquivado sob: Notícias em Português and dn.pt
When a Child Has a Mental Illness

Posted on Terça-feira 6 Outubro 2009

Garen Staglin and his wife were on a business trip to France back in 1991 when they got a phone call that would change everything. The news — that their 19-year-old son Brandon had been admitted to a psychiatric hospital — was so unexpected that, at first, they thought it was a wrong number.

But Brandon was soon diagnosed with schizophrenia, which most often surfaces in young adulthood. His father is now vice-president of the International Mental Health Research Organization, a non-profit charity dedicated to solving brain disease within a generation. This is Mental Awareness Week, and Garen is here to answer questions about being the parent of a child with mental illness.

Q.What was your initial reaction to your son’s diagnosis?

A.You start with disbelief and deny it. You think it can’t possible be true or you don’t want it to be true. And then you go through the grief associated with what’s going to happen to him and his life going forward. And then you start to doubt yourself at that point. What did you do wrong? How could you probably let this happen to him? But then for us it was determination. What could we do to get him better? Who can we call and where can we go? And we decided to leave no stone unturned until we could find the answer to get him better.

Q.When you got back from France and saw him for the first time, what was he like?

A.It was like he was a different person. It was shock and dismay. He was so troubled by these inner voices and hallucinations that he was experiencing. He was turning around in circles. He was lying on the floor. He was crying. He was tormented and desperate. And my wife said it was like we lost him. He was just gone. It was hard to reach him. It was hard to get him to listen to us. And while they are adults at that age, it’s really complicated and he didn’t want to take medications. He didn’t want to believe that he had a mental disorder. It had to be something else for him, too. It was very hard for him to admit.

Q.He felt the same kind of denial that you had?

A.Yes. You know, that denial lasted for years. He would invent other reasons to believe that was why he was sick. He had head pain or he needed to see a chiropractor. But finally he can now say, because he’s well enough, that he has schizophrenia and, with medication, he can now lead a normal life. But this is one of the tragedies of the illness that many times people will continue in this denial period, which is the biggest barrier to them getting well.

Q.How do you break through that?

A.It’s a matter of them achieving their own sense of confidence in themselves. That they can, in fact, get better with this illness. I think if we continue on this process of education that these are genetic disorders that are environmentally triggered and if we continue to get better medications with fewer side effects and then ultimately use the human genome to be able to talk reliably and confidently about cures, it’s going to make it easier to admit what they have.

Q.How did Brandon’s diagnosis affect you and your family?

A.Brandon has a sister, Sharon, and she is seven years younger than him, and this was very disturbing to her. She first of all couldn’t understand what was happening to him. Once we told her, then she worried, “Is this going to happen to me?” So you have to give her the support she needs to not get herself in a bad place as a result of all this. You’ve got to take care of yourself if you have a family member with mental illness because if you don’t, you can’t provide the support and unconditional love that they need to help them get through the problems that they are suffering.

The family members themselves have to understand their own vulnerabilities with these illnesses because when you’re in this state of desperation about how bad things are for your sons or daughters, you yourself have the risk of becoming depressed and being unable to provide them the support that they need. So the family therapy, the family integration, circling the wagons together is a very important thing to have happen.

Q.Looking back, what were the hardest moments, the darkest moments in this process for you?

A.There were several. One was in the first point in time when he was at his darkest in terms of mood. He was certainly suicidal at that point in time, and the fact that we had lost him and that he would maybe never come back. That’s a real tragedy when it someone you love that much. The second was when he had graduated from Dartmouth on time with honors. He was functioning pretty well. His life long dream was to become a rocket scientist. He got accepted to Stanford and MIT to get a masters and ultimately a PhD in mechanical engineering, which would have been the culmination of his dream. But he didn’t think he could function at a level consistent with his ability if he was too sleepy in the morning because of his medication. So he started taking his medication down in a too fast manner and not in a supervised manner, and he had a relapse; after getting him to the point where he was on his way again, he goes back into the abyss. And you really have to have faith and courage that you’re going to withstand this the second time because you go through that deep disappointment and fear. To have the courage to do it again, takes an awful lot out of you. We did it, and now he’s functioning better than ever.

Q.What was the turning point for you when you believed he would be able to function in normal life again?

A.The second time took us almost two, three years to get him to that point. He was going through outpatient therapy, living near the hospital. Every day we sort of forced him to be engaged and involved with us and our other activities, and he got progressively better. He started to regain his own self-confidence, and the thing — I won’t call it a miracle — but the real turning point for him was that he was able to respond extremely favorably to a new medication. It dramatically uplifted his spirits, his sensibilities, his understanding of the world around him and his old sense of humor came back, his awareness, his ability to react to other people. That was about five years ago, and ever since then every day he’s getting better, culminating with him on Feb. 14 of this year getting married to someone who’s wonderful for him and he for her. And that’s one of the great joys of our lives that he’s been able to do that now.

Q.What is he doing now?

A.He is our Web designer, our marketing materials designer. He’s head of marketing and communications for us. It’s a great job for him because he’s bright in both left and right brain skills, but probably his verbal skills and his creative skills are even better than his analytical skills. It’s a perfect job because he can perform it without what I call the other enemy of this illness and that is stress. And he’s involved also with our nonprofit charity — the International Mental Health Research Organization

Q.Much of your work today focuses on trying to reduce the stigma associated with mental illness, but was there ever a time when you yourself wanted to keep this hidden?

A.Absolutely. At the very beginning, you’re in a state of denial and you
still have this lingering guilt and doubt that maybe you did something wrong as a parent so the last thing you want to do is to start talking about this problem with everybody else. So for the first three years we were very hesitant to talk about it — maybe even for the first five years. It was only after we were pretty sure that we were gong to be able to get him on a path to a normal or a functioning life, we began to say to ourselves that we can’t run away from this problem. We have to run towards it. The only way for us to deal with it was to get ourselves immersed in it.

Q.Why did you decide to go public about your experiences?

A.We decided to go public because we felt that by telling our story it would
help other people deal with their own personal situations and not be afraid to talk about it and share their problems. And to the extent that even a few people are motivated and are free to move forward because of our openness, we’re happy to do it.

By Lisa Belkin

http://parenting.blogs.nytimes.com/2009/10/06/when-a-child-has-a-mental-illness/

Administrator @ 1:01 pm
Arquivado sob: News in English and nytimes.com
Entre o mundo real e o imaginário

Posted on Quinta-feira 1 Outubro 2009

Segundo algumas estimativas, a esquizofrenia afecta cerca de 40 a 60 mil pessoas em Portugal. O estigma e a falta de adesão à terapêutica estão entre as principais causas do insucesso do tratamento. Contudo, se a medicação for cumprida à risca, em 75% dos casos há uma redução das crises.

Em 1911, Eugen Bleuler usou, pela primeira vez, o termo esquizofrenia para definir uma patologia de foro psiquiátrico grave. Esta desordem “caracteriza-se por sintomas positivos (delírios e alucinações), sintomas negativos (falta de vontade e embotamento afectivo) e por quadros de tristeza e desmotivação, acompanhados por problemas de memória e atenção”, indica o Prof. João Marques-Teixeira, psiquiatra, professor da Universidade do Porto e director Clínico do Neurobios – Instituto de Neurociências.

De acordo com os dados disponíveis em Portugal, calcula-se que a esquizofrenia atinja entre 0,4 a 0,6% da população, “sem predominância de género”. O especialista considera que a eclosão dos sintomas agudos tem, geralmente, início depois da adolescência, entre os 18 e os 24 anos.

Apesar de não se conhecerem as causas desta patologia psiquiátrica, suspeita-se que o aparecimento dos primeiros sintomas se deva a razões genéticas. Contudo, João Marques-Teixeira diz que existem “factores ambientais (físicos, infecciosos, psicológicos, traumáticos e tóxicos, nomeadamente com a administração de substâncias de abuso)” que influenciam, sobremaneira, o surgimento da esquizofrenia.

Normalmente, a doença surge com “alterações na percepção ou na expressão da realidade”, muito embora as manifestações mais frequentes sejam as “alucinações visuais ou auditivas”. Esta patologia caracteriza-se, ainda, por “delírios persecutórios, desorganização do pensamento e da linguagem, assim como um grande défice social e profissional”.

Diagnóstico precoce é meio caminho para sucesso terapêutico

A esquizofrenia altera, por completo, “as rotinas do seio familiar onde o doente está inserido”. E, dado o impacto da doença, contribui para um desgaste emocional dos entes mais próximos. Embora em algumas situações o internamento hospitalar seja um meio de tratamento, João Marques-Teixeira admite que, de uma maneira geral, salvo raras excepções de elevada gravidade, “o doente diagnosticado e tratado precocemente pode fazer uma vida praticamente normal”.

Contudo, o diagnóstico envolve uma natureza “complexa e longitudinal”. Assim, “a melhor estratégia, perante uma alteração grave e súbita de comportamento de um adolescente ou jovem adulto, é pedir o apoio do médico de família ou de um psiquiatra”, acrescenta.

Caso a medicação seja iniciada numa fase inicial da doença e sem interrupções, “em 75% dos casos há uma resolução positiva, com um prognóstico favorável na resolução das crises”. Mas, para que isto aconteça, é preciso haver um envolvimento e uma psicoeducação do doente e da família.

Para além dos fármacos (“os mais usados, actualmente, dão pelo nome de antipsicóticos atípicos”), decorrentes de avanços científicos que permitiram o desenvolvimento de novas “substâncias eficazes e com menos efeitos acessórios”, os tratamentos também implicam “o treino cognitivo e uma reabilitação psicossocial”. Porém, e apesar de todos os esforços, os clínicos e a família deparam-se com alguns obstáculos na adesão ao tratamento, já que nem sempre “o doente aceita a patologia (porque não tem consciência da mesma)”.

A somar aos factores intrínsecos do doente, “seguem-se as dificuldades de ressocialização” e o estigma da sociedade face à esquizofrenia. “Esta patologia suscita um sentimento de estranheza nas pessoas e induz a uma sensação de perigosidade”, o que se constitui um dos motores de discriminação social. “Os doentes com esquizofrenia sofrem, ainda, de falta de apoios no nosso país.”

Vida activa favorece recuperação

O filme “Uma mente brilhante”, lançado em 2001, relatava a vida de John Forbes Nash, um matemático exemplar que, a dada altura do seu percurso profissional, começa a sofrer de alucinações. O diagnóstico confirma a existência de esquizofrenia, o que o obriga a redefinir o seu rumo da sua vida.

Embora a esquizofrenia se confunda com a genialidade, o psiquiatra João Marques-Teixeira afirma que esta relação não passa de um “mito”. Segundo explica, “esta crença resulta, provavelmente, da bizarria comportamental dos génios”. Mas a ligação entre a doença e alguns prodígios intelectuais é a “mesma que existe em outras patologias de foro psiquiátrico”.

No entanto, sofrer de esquizofrenia também não é sinónimo de ignorância ou de debilidade mental. Um estudo dirigido por João Marques-Teixeira procurou precisamente avaliar a capacidade de aprendizagem destes doentes: “Os programas que facilitem a aquisição de estilos de vida mais saudáveis, em conjunto com a terapêutica e as medidas de natureza psicossocial, promovem uma maior integração social.”

Os resultados deste estudo indicam que o grau de satisfação dos doentes face ao papel mais dinâmico que representam na sociedade. “De um modo geral, as variáveis ligadas ao estado emocional e à motivação intrínseca são fundamentais para essa aprendizagem. Tudo o que estimule o doente para uma vida activa e com sentido tem um impacto positivo na evolução da esquizofrenia”, resume. Daí que se reforce a importância de um diagnóstico o mais precoce possível. Só assim se pode dar início a um tratamento adequado, que evite “um curso debilitante e com uma crescente insuficiência social”.

Por Andreia Pereira

http://www.jornaldocentrodesaude.pt/Jcs/NotCorpo.asp?Id=481

Administrator @ 12:00 am
Arquivado sob: Notícias em Português and jornaldocentrodesaude.pt
Schizophrenia - Advice from a Parent

Posted on Terça-feira 29 Setembro 2009

Garen Staglin
Garen Staglin
Nearly two decades ago, my son, Brandon, was diagnosed with schizophrenia after his freshman year in college when he was 19 years old. For him and for our family, that moment was the beginning of a long journey, a journey that took us through fear and darkness and, eventually, to hope and thankfulness.

There were moments that tested our own emotional limits. I vividly recall one dark hour when I walked into our living room and our son was there spinning around the room in a circle as he tried to deal with the hallucinations that are so common to schizophrenia. He was terrified at the horrors going on inside his own brain; you could see it in his eyes. I took him and hugged him and said, “We are going to get through this; we will help you get to a place where you can feel safe.”
As a parent, you have to be able to absorb those moments – moments that force you to be strong for your child’s sake. You also have to overcome the self-doubt that somehow this is your fault or you did something wrong. That won’t help your child at all.

For my wife, Shari and I, the long search for answers and treatment began when my mother called me when we were traveling overseas to tell us that Brandon was in a mental hospital. As parents, our first reaction was, “No, this can’t be right.” This could not be our son who scored three straight perfect 800s on the SAT verbal test and planned to become a rocket scientist. Our life was changed from that moment.

We rushed home and immediately sought out psychiatrists who could examine Brandon and tell us what was happening. At the end of a day-long examination, we were incredulous when the psychiatrist gave us her diagnosis of schizophrenia. But at least then we knew what we were facing, and there was comfort in knowing. Having that knowledge marked the beginning of our long journey.

When we first found out about Brandon’s condition, I wanted to be able to say, “Give me this disease, I have lived my life, and you go on with your life.” But you can’t do that. All you can do is to see that your child gets the help he needs to get well. That demands your time and support and patience and understanding. You must take unconditional love to a higher level. And we also had to recognize that our daughter, Shannon, seven years younger than Brandon, was also deeply affected by this traumatic event and needed our support and comforting as well.

Schizophrenia is a psychotic disorder characterized by distortions of reality, including hallucinations, disruption of thought and language, and withdrawal from contact with other people. In the not too distant past, this disease was considered incurable. But science is advancing at breathtaking speed, and we are now beginning to talk about cures and hope to achieve them in our lifetime. The mapping of the human genome has given us the pathology of mental illnesses, and we now know they are genetic disorders that are environmentally triggered. Continued private and public funding of research is essential to get us to real cures.

Today, the most important thing for any patient is to get help early. Getting the correct diagnosis is absolutely essential because healing can only emerge from that point.

Then, your therapist must find the right balance of medications that will help your child reach a calmer, more even place where he can begin to take the tiny steps necessary to rebuild his or her own life. Yes, this can be a slow and frustrating process. Some medications have uncomfortable side effects. But it is essential to find the right combination and stick with it.
And, finally, when a person is ready, you can help them reenter real life by being their safety net and helping them avoid stress, for example, by changing their environment or lowering the pressure of expectations. For us, the turning point came when our son’s condition had stabilized sufficiently through medications and therapy that he was ready to resume his life. Because at that moment, we were able to see that our son was on a path that would eventually return him to us. I was reflecting on our experiences recently because this year’s Mental Illness Awareness Week (Oct. 4-10) has taken the theme that recovery from mental illness is not something that can be done alone. It requires community and family action, patience, understanding and teamwork.

I began this essay talking about fear and hope. If you have knowledge and patience, you have reason to be hopeful, and hope can outlast fear. Today, Brandon is married and working in our family business as marketing communications director and website writer for our Staglin Family Vineyard. We know that this is not the end of our journey. But you can’t imagine how good it feels to have our son reach a place where he can work every day with us and feel love and be loved in his own family.

by Garen Staglin
Garen Staglin is Vice President of the International Mental Health Research Organization (IMHRO). IMHRO is a non-profit charity dedicated to solving brain disease within a generation. To learn more about IMHRO please visit the Website at www.imhro.org.

http://healthnewsdigest.com/news/Guest_Columnist_710/Mental_Illness_Awareness_Week_Oct_4-10.shtml

Administrator @ 5:30 pm
Arquivado sob: News in English and healthnewsdigest.com
Films attack mental health stigma

Posted on Domingo 9 Agosto 2009

Two films are being launched in cinemas in England and online to challenge the misconception that all sufferers of schizophrenia are violent.

The move comes as a YouGov poll of 2,010 people found that more than a third held this belief.

Campaigners Time to Change said someone was as likely to be hit by lightning as be killed by a mentally ill person.

Figures released last week showed an increase in the number of murders committed by mentally ill people.

The National Confidential Inquiry reported 54 people were killed in England and Wales in 1997 and this had risen to more than 70 in both 2004 and 2005.

But it was murders by people who were not receiving treatment for their condition which accounted for the increase.

‘Lunatic’

Time to Change, which is backed by the Big Lottery Fund and Comic Relief, is launching the films in a bid to combat mental health prejudice.

The first, called Schizo, begins in the style of a horror movie trailer with comments like "terrifying" and "chilling" from supposed film critics.

However, it ends with an ordinary-looking man named Stuart, making a cup of tea and talking about his illness.

" Stigma and discrimination wrecks lives "

Sue Baker, Time to Change

"Hi there, I’m sorry to disappoint you if you were expecting a lunatic with a knife or on some sort of rampage," he says.

"People like me with a diagnosis of mental illness face discrimination every day. Luckily for me, I have the support of friends and family to help me lead a full life."

The second film, Kids’ Party, is subtitled "Schizophrenic man terrifies kids at party," but viewers go on to see a normal, happy occasion in which Stuart entertains the children with a giant spider made out of balloons.

Sue Baker, director of Time to Change, said: "Both films have been designed to attract members of the public who don’t realise they are causing stigma and discrimination.

"One in four of us will have a mental health problem at some stage of our lives. It can happen to anyone.

"Stigma and discrimination wrecks lives. Yet everyone can make a change in their attitudes now."

‘Prove myself’

Stuart Baker-Brown, who features in both films, said he wanted to show that people like him with schizophrenia did not conform to a stereotype.

"Helping to make the film has been part of a journey to take control of my life," he said.

"Rather than giving up I made a decision to change my life, which was borne out of a necessity to prove not only to myself and to all those around me, that a good level of both physical and mental recovery from schizophrenia is possible."

The YouGov poll was commissioned by Time to Change to coincide with the launch of the films.

http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/8192603.stm

Administrator @ 12:26 am
Arquivado sob: News in English and news.bbc.co.uk
Novelas afetam brasileiros, diz jornal americano

Posted on Terça-feira 16 Junho 2009

Gravidez
Reprodução
Não é de hoje que as novelas brasileiras têm chamado atenção no exterior. Títulos como "O Clone", "Da Cor do Pecado" e "Terra Nostra" são ou foram sucesso em vários países pelo mundo. Mas agora, o poder de influência das novelas sobre os costumes brasileiros entrou em pauta no "Washington Post", um dos principais jornais americanos.

A publicação acredita que as novelas estão ligadas diretamente à cultura brasileira. "As novelas criam moda no Brasil. Depois de ‘O Clone’, atração gravada no Brasil e em Marrocos que foi ao ar em 2001, a dança do ventre virou febre", cita o texto. Dando exemplo de outra influência, a matéria fala da novela "Quatro por Quatro", quando uma das personagens usava flores na cabeça. "As mulheres brasileiras começaram a usar flores amarelas nos cabelos", diz.

Para defender a teoria de que a vida dos brasileiros é guiada pelas tendências das novelas, o professor da universidade do Texas, Antonio La Pastina, declarou que a teledramaturgia brasileira faz parte do Brasil contemporâneo. "As novelas se tornaram uma parte importante na construção da cultura brasileira. É difícil pensar no Brasil contemporâneo sem pensar nas novelas", declara.

O texto também traz o contraponto desta visão. O diretor de Comunicação da Globo, Luis Erlanger, se opôs ao conceito de que as novelas determinam o comportamento dos brasileiros. "Imaginar que as pessoas seguem tudo aquilo o que a novela mostra diminui a capacidade de livre arbítrio do povo. Chega a ser antidemocrático", afirma Erlanger.
O "Washington Post" também fala sobre a atual novela das 21 horas da Rede Globo, "Caminho das Índias", que segundo ele, tornou a cultura indiana popular no país. Sobre a mesma novela, a matéria fala sobre Tarso, o personagem interpretado por Bruno Gagliasso e que sofre de esquizofrenia.

O personagem teria chamado a atenção sobre saúde mental no Brasil e levado o tema para outros programas. O próprio ator deu seu depoimento sobre o assunto. "É como se a Globo levantasse a bola para outras pessoas começarem a jogar", disse Bruno.

Enquanto lá fora discutem o assunto, aqui no Brasil é preciso lembrar que a audiência das novelas diminuiu de alguns anos pra cá. Porém, elas continuam sendo o programa favorito dos brasileiros.

http://entretenimento.br.msn.com/famosidades/noticias-artigo.aspx?cp-documentid=20436670

Administrator @ 10:15 am
Arquivado sob: Notícias em Português and br.msn.com
Saiba o que é e como tratar

Posted on Terça-feira 16 Junho 2009

O tema é tão sério que já está sendo abordado em novela. O transtorno não tem cura, mas pode ser controlado com terapia e medicamentos

SÃO PAULO (ABN NEWS) - A esquizofrenia significa divisão, ou seja, a mente da pessoa cria uma separação entre o bom e o mau, o certo e o errado, como se ambas não pudessem pertencer a mesma mente. É disto que provém as alucinações, confundindo a pessoa do que é real ou não. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um dos principais transtornos mentais que atinge 1% da população com idade entre os 15 e os 35 anos, e é a terceira causa de perda da qualidade de vida entre os 15 e 44 anos, considerando-se todas as doenças. A psicoterapeuta e diretora do Instituto de Psicologia Avançada AMO, Maura de Albanesi, afirma que, pesar do impacto social, a esquizofrenia ainda é uma doença pouco conhecida pela sociedade, sempre cercada de muitos tabus e preconceitos.

Essa doença, explica a especialista, pode se desenvolver gradualmente, tão lentamente que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo está errado, só quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada, pode levar meses. “Há, no entanto, pacientes que desenvolvem esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda as suas atitudes e entra no mundo esquizofrênico, o que geralmente alarma e assusta muito os parentes”, explica a Dra. Maura.

Não há uma regra fixa quanto ao modo de início: tanto pode começar repentinamente e eclodir numa crise inesperada, como começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir uma crise característica. Entretanto, comenta a psicoterapeuta, geralmente os primeiros sintomas são a dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos; estados de tensão de origem desconhecida mesmo pela própria pessoa, insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento.
“Nos dias de hoje, os pais pensarão que se trata de drogas, os amigos podem achar que são dúvidas quanto à sexualidade, outros pensarão que são indagações existenciais próprias da idade”, diz a especialista.

Como tratar?

Os antipsicóticos são os medicamentos mais indicados no tratamento da esquizofrenia e representam um grande avanço no tratamento da doença, com redução das internações psiquiátricas e melhor integração dos pacientes à sociedade. No entanto, as atuações da psicoterapia e as técnicas escolhidas para o tratamento podem otimizar, efetivamente, os resultados quanto à redução dos sintomas. “Os medicamentos tratam as principais características da esquizofrenia, mas questões relacionadas diretamente ao convívio social da pessoa requerem tratamentos complementares como a reabilitação psicossocial e a psicoterapia. O tratamento psicoterapêutico visa integrar esta mente, e auxiliar a pessoa a perceber em si os conteúdos do seu inconsciente que estão se manifestando por meio das alucinações, que nada mais são do que projeções deste inconsciente que não é aceito pela pessoa. Uma vez que ela consegue perceber que tudo é produto de sua mente, poderá mais facilmente aprender a lidar com elas”, esclarece a Dra. Maura.

Qual o papel da família?

Os familiares são aliados importantíssimos no tratamento e na reintegração do paciente. É importante que estejam orientados quanto à doença para que possam compreender os sintomas e as atitudes do paciente, evitando interpretações errôneas. As atitudes inadequadas dos familiares podem muitas vezes colaborar para a piora clínica. O impacto inicial da notícia de que alguém da família tem esquizofrenia é bastante doloroso, porque a doença é pouco conhecida e sujeita a muita desinformação.
“Frequentemente, diante das atitudes excêntricas dos pacientes, os familiares reagem também com atitudes inadequadas, perpetuando um circulo vicioso difícil de ser rompido. Atitudes hostis, criticas e superproteção prejudicam; apoio e compreensão são necessários para que o paciente possa ter uma vida independente e conviva satisfatoriamente com a doença”, finaliza a psicoterapeuta.

Administrator @ 12:56 am
Arquivado sob: Notícias em Português and abn.com.br
Autismo é o preço da inteligência, diz descobridor

Posted on Quinta-feira 4 Junho 2009

James Watson
James Watson
James Watson, codescobridor da estrutura do DNA, pai da biologia molecular e polemista profissional, tem uma nova teoria para explicar a suposta genética da inteligência. Os genes que predisporiam algumas pessoas a habilidades intelectuais elevadas seriam os mesmos que disparam doenças como autismo e esquizofrenia.

Coincidentemente, é essa a hipótese que um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado está desenvolvendo. Os dados foram apresentados na semana passada nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter delineado suas ideias.

"Isso é muito especulativo. Não posso provar", admitiu à Folha o biólogo, de 81 anos. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. "E esses genes tendem a ser eliminados pela seleção natural."

Watson apresentou sua tese durante o 74º Simpósio de Cold Spring Harbor sobre Biologia Quantitativa, organizado pelo laboratório do qual ele era chanceler –até ser demovido do posto no fim de 2007 por ter feito comentários racistas.

Longe de se retratar pelo episódio, Watson ainda sugeriu, durante sua apresentação, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que "as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal".

Autorreferência

O cientista começou a desenvolver sua hipótese depois de ter sido o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado.

"Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA".

Esses genes, como o BRCA1 e o BRCA2, entram em ação para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. Mutações neles estão ligadas ao câncer.

"Pessoas com essas mutações tendem a ter filhos especiais", disse. Watson tem um filho esquizofrênico.

Os mutantes são mais inteligentes que a média e têm menos filhos –e, de acordo com Watson, têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Veja os cientistas.

Supostamente, os genes da inteligência seriam eliminados pela seleção natural. "Mas por que eles não somem e a humanidade não fica mais estúpida?"

Elementar, afirma Watson. As sociedades que têm indivíduos com alta cognição, como Einstein e Darwin, se beneficiam. O processo evitaria o expurgo da inteligência -e da esquizofrenia- do "pool" genético dessas populações.

Faca de dois gumes

Menos especulativa é a ligação entre cognição e doenças mentais feita pelo grupo de James Sikela (Universidade do Colorado). Ele e seus colegas descobriram uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores identificaram que uma região instável do genoma chamada 1q21.1 concentrava um número alto de cópias de um gene chamado DUF1220. "A relação de causa e efeito não está provada, mas nós relatamos uma correlação" entre o aumento do número de cópias desse gene na linhagem humana e o aumento do cérebro, disse Sikela à Folha.

Essa instabilidade é "uma faca de dois gumes". "Ela teria permitido mais cópias do DUF1220 e, portanto, teria sido retida na evolução. Por outro lado, essa instabilidade não é precisa e pode gerar um embaralhamento deletério de sequências.

É por isso que os vários estudos recentes que têm relacionado variação no número de cópias na região 1q21.1 no autismo e na esquizofrenia chamaram nossa atenção: isso se encaixa na ideia de que os indivíduos com essas doenças são o preço que a nossa espécie paga pelo mecanismo que permitiu e permite a geração de mais cópias da DUF1220."

Sikela disse que Watson não sabia de seus dados e que o mecanismo sugerido por ele é diferente. "Mas, em teoria, outras regiões do genoma poderiam se encaixar no modelo."

Por Claudio Angelo
enviado especial da Folha de S.Paulo a Cold Spring Harbor (EUA)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u575851.shtml

Administrator @ 6:30 am
Arquivado sob: Notícias em Português and folha.com.br
São Paulo: Universidade treina professor para identificar esquizofrenia

Posted on Terça-feira 2 Junho 2009

A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) criou um programa em que médicos e outros profissionais da saúde vão até as escolas ensinar os professores a identificar alunos com suspeita de doenças psiquiátricas graves, como a esquizofrenia. O foco são estudantes entre 11 e 18 anos de 40 escolas públicas de São Paulo.

Depois de identificados, os alunos seguem para o Proesq (projeto de esquizofrenia da Unifesp) para confirmar o diagnóstico -que envolve entrevistas com os jovens e seus familiares e exames de neuroimagem. No momento, 300 estudantes da zona sul de São Paulo passam por avaliações.

O programa foi inspirado em outras iniciativas de sucesso em países como EUA, Inglaterra e Alemanha. "A meta é a detecção precoce. Os professores podem ajudar muito na identificação de sinais sugestivos [da doença]. Às vezes, os adolescentes passam mais tempo com eles do que com seus pais", diz o psiquiatra Rodrigo Bressan, professor da Unifesp e coordenador do Proesq.

Entre os sinais investigados nos alunos estão queda no rendimento escolar, relatos de perseguição ou de ouvir vozes, agressividade e quadros depressivos e de isolamento.
Em geral, a esquizofrenia começa na adolescência ou no início da vida adulta -90% dos casos são diagnosticados entre 15 e 25 anos. Estima-se que 1,8 milhão de brasileiros (1% da população) tenham a doença.

A esquizofrenia preocupa os médicos por várias razões, entre elas, a dificuldade do diagnóstico precoce, o estigma e a não adesão à terapia.

Uma recente revisão de estudos feita pelo Instituto de Psiquiatria da USP mostrou que metade dos portadores de esquizofrenia não adere ao tratamento, o que aumenta em 88% as chances de recaída (surtos).

"Cada surto significa perda de neurônios e declínio mais rápido do paciente. Quanto mais surtos, maior o comprometimento das funções psíquicas e dos danos cerebrais", diz o psiquiatra Hélio Elkis, coordenador do projeto de esquizofrenia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP.

Resistência aos remédios

As recaídas também são causadas por refratariedade, quando o doente desenvolve resistência aos antipsicóticos convencionais -drogas que agem nos receptores neuronais de duas substâncias produzidas no cérebro, a dopamina e a serotonina. De 30% a 40% das pessoas com esquizofrenia podem apresentar o problema.

Nesses casos, é preciso associar à terapia outras drogas antipsicóticas. Mas também há entraves. Uma pesquisa da Unifesp mostrou que 80% dos pacientes refratários às drogas convencionais, tratados em um Centro de Atenção Psicossocial de São Paulo, não eram reconhecidos como tal e muito menos tratados adequadamente.

Segundo Bressan, os médicos tinham medo em medicá-los com a clozapina (antipsicótico usado em casos refratários e fornecido gratuitamente pelo governo do Estado). "O remédio tem como efeito colateral a granulocitose [queda dos glóbulos brancos do sangue]. Mas o risco é mínimo quando os doentes são acompanhados de forma adequada. Também falta treinamento para os profissionais da saúde."

Por Cláudia Collucci
da Folha de S.Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u575237.shtml

Administrator @ 8:01 am
Arquivado sob: Notícias em Português and folha.com.br
Video: Conheça as causas e tratamentos da esquizofrenia

Posted on Sexta-feira 29 Maio 2009

Um transtorno que tem como principal característica o distanciamento da realidade. Causa, dentre outros sintomas, perda do sono, irritabilidade, sensação de perseguição. A esquizofrenia é o tema da entrevista com a psiquiatra e psicanalista e representante da Associação Brasileira de Psiquiatria, Gilda Paoliello.

http://globominas.globo.com/GloboMinas/Noticias/BomDiaMinas/0,,MUL1175356-9077,00-CONHECA+AS+CAUSAS+E+TRATAMENTOS+DA+ESQUIZOFRENIA.html

Administrator @ 6:51 am
Arquivado sob: Notícias em Português and globo.com
Reportagem: Realidade na ficção; ficção na realidade

Posted on Quinta-feira 14 Maio 2009

Tarso
Bruno Gagliasso, personagem Tarso de Caminho das Índias
O amadurecer não é uma etapa fácil na vida de ninguém. Pressões dos pais e da sociedade para assumir responsabilidades, escolher a carreira, ter autonomia em tomar decisão ou ser mãe. Toda essa mudança de postura mexe com o comportamento e as emoções dos adolescentes e jovens adultos, que ficam vulneráveis ao stress. E é justamente nessa fase da vida - nos homens aos 18 anos e nas mulheres, por volta dos 26 - que, em 1% da população mundial, outras características comportamentais se unem a essas, geralmente de forma gradativa, até culminar em um surto psicótico.

O desenvolvimento da esquizofrenia foi mostrado recentemente na televisão por meio do personagem Tarso, interpretado por Bruno Gagliasso, em Caminho das Índias. A novela de Glória Perez também mostrou que reconhecer precocemente um quadro de esquizofrenia é difícil para os pais, ao próprio jovem e à sociedade, uma vez que as alterações comportamentais provocadas não são exclusivas da doença. Destacam-se: mudança na personalidade, isolamento social, insônia, indiferença em relação ao sentimento dos outros, períodos intercalados de hiperatividade e inatividade, dificuldade de concentração, desconfiança e hostilidade, bem como ferimentos provocados em si mesmo, sensibilidade a barulhos e luzes e descuido com higiene pessoal.

Ao observar esses sintomas, a primeira desconfiança é de que a pessoa (filho ou amigo) está passando dos limites, quer chamar atenção, é fraca, está deprimida ou envolvida com drogas. ‘’O difícil é reconhecer que ela tem uma doença mental e precisa ir ao médico, até um fator mais sério ocorrer: atitude fisicamente agressiva, afirmar que é uma autoridade ou entidade religiosa, dizer ouvir vozes ou sentir-se perseguido e ameaçado'’, afirma o dr. Antônio Leandro Nascimento, psiquiatra do programa ABP Comunidade, criado pela Associação Brasileira de Psiquiatria.

Sites recomendados

>> www.gagliassoblog.com
>> www.entendendoaesquizofrenia.com.br
>> www.abrebrasil.org.br
>> www.abpcomunidade.com.br

Falta de informação

Se hoje algumas pessoas ao menos sabem que o tema esquizofrenia está sendo tratado na novela de Glória Perez ou que o ator Bruno Gagliasso interpreta um personagem com um tipo de transtorno mental, antes, essa palavra era quase impronunciável ou inaudível. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% da população não sabe o que é esquizofrenia. ‘’Não se fala sobre a doença. O portador do sofrimento psíquico acaba afastado da sociedade, seja por falta de estímulo para a reinserção social ou para ser preservado pelos familiares. Estes, muitas vezes, também se negam a aceitar o problema, sentem-se culpados e/ou rebelam-se com a condição do paciente dentro de casa. O motivo para isso tudo: falta de informação generalizada, que leva ao stress e cria um estigma'’, explica o dr. Leonardo Figueiredo Palmeira, psiquiatra da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro e autor do livro recém-lançado Entendendo a Esquizofrenia - Como a família pode ajudar com o tratamento? (Ed. Interciência - 2009).

A ideia de escrever um livro que reunisse informações corretas e claras para leigos, com relatos e dicas a portadores e familiares, nasceu com o programa de psicoeducação desenvolvido por ele entre 2000 e 2007, no Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro (CPRJ), juntamente com as outras autoras do livro: a psicóloga Maria Thereza Geraldes e a psicopedagoga Ana Beatriz Bezerra. Trata-se de um curso educativo sobre a esquizofrenia, seguido de terapia de grupo para as famílias. Segundo o dr. Palmeira, já foi comprovado cientificamente que a informação ajuda muito no tratamento médico e na recuperação do paciente. ‘’Até o número de recaídas e internações é menor em pacientes que possuem uma família esclarecida'’, revela. O estigma é a influência mais negativa para quem sofre de algum transtorno mental.

Tem tratamento

O tratamento medicamentoso com antipsicóticos age diretamente no neurônio, bloqueando os receptores de dopamina e evitando sua produção em excesso. ‘’Diferentemente do que é imaginado pela sociedade, o portador de esquizofrenia não vive o tempo todo em surto'’, afirma o dr. Nascimento. ‘’Fora da crise, a pessoa fica bem, interage e, em muitos casos, pode trabalhar. Portanto, não há motivo para discriminação e afastamento. Nem se trata de uma doença contagiosa'’, completa.

Segundo ele, existem manifestações diferentes de esquizofrenia. O personagem Tarso apresenta um quadro de esquizofrenia paranóide (com predomínio de alucinações e delírios). Outros tipos comuns são: a hebefrênica (com incidência na adolescência e probabilidade de prejuízos cognitivos e sócio-comportamentais) e a chamada simples (diminuição da vontade e da afetividade, empobrecimento do pensamento, isolamento social; sem delírios e alucinações). Cada um dos tipos tem variações de níveis (leves e graves).

Iniciado o tratamento medicamentoso, o efeito terapêutico pode demorar de 4 a 8 semanas, com alguma melhora já nos primeiros dias. O tempo total do tratamento será dito pelo médico, podendo variar de um a cinco anos ou, dependendo do caso, por um período indeterminado.

Uma vez que os sintomas são controlados e a pessoa começa a se sentir bem, é comum abandonar o tratamento. ‘’Todavia, o paciente não está curado. Todo tratamento leva no mínimo um ano e, sem ele, a pessoa fica vulnerável a novas crises'’, alerta o dr. Palmeira. A manutenção é importante justamente para se evitar futuras recaídas, que podem ser mais intensas do que o primeiro surto. ‘’É uma doença crônica, como diabetes, que exige acompanhamento médico - no caso psiquiátrico - a vida toda'’, afirma o dr. Nascimento. Além dos medicamentos e do acompanhamento profissional, um conjunto de ações, como terapias ocupacionais, inclusão social e reabilitação, complementa o tratamento.

Atualmente, sabe-se que a esquizofrenia tem causa genética. ‘’Todo mundo que desenvolve a doença tem, necessariamente, a presença desse gene. Contudo, há casos de quem tem o gene e nunca desenvolve esquizofrenia'’, conta o dr. Palmeira. Também é comprovado que alguns fatores ambientais podem estimular o desenvolvimento da doença nessas pessoas predispostas, como stress, infecção viral durante a gestação da mãe, exposição psicológica na mãe ou na criança e uso de maconha. ‘’É importante deixar claro que esses fatores isolados, sem a presença do gene, não causam a doença.'’

O apoio da família é fundamental

A família não tem culpa pelo desenvolvimento da esquizofrenia no filho e não deve transmitir esse sentimento a ele. O saber lidar com o paciente é difícil pela falta de informação. Porém, o apoio é fundamental para uma melhor recuperação e reinserção do paciente.

Em Caminho das Índias, agora se vê como Tarso, a família e pessoas próximas lidam com o diagnóstico e a doença, o tratamento e o estigma que há na sociedade. A mãe, Melissa (personagem de Christiane Torloni), não aceita e, em um primeiro momento, joga até fora os medicamentos do filho.

‘’Haver equilíbrio é fundamental. Os pais tendem a abandonar ou superproteger, podem cobrar demais ou abdicar da própria vida para se envolver afetivamente ao extremo. Nada disso é indicado'’, alerta o dr. Palmeira. Para ele, deve-se dosar o que pode ser cobrado e como fazê-lo, o dar carinho e proteção, sem exageros. ‘’Conversar com outras pessoas que lidam com isso e procurar informação ajuda muito. Entender a condição, acolher, apoiar e dar amor são atos imprescindíveis.'’

O psiquiatra também enfoca a importância de estimular o indivíduo ao convívio social. Não é bom os pais manterem a pessoa dentro de casa. O lazer, o ir ao cinema ou ao restaurante, estando com os sintomas controlados, é muito benéfico e estimulante para o paciente conquistar autocrítica, bem como incentivar parentes e amigos a estabelecerem uma relação saudável. A comunicação em casa deve ser clara e o ambiente emocionalmente estável para não deixá-lo vulnerável ao stress.

Grupos de apoio - reinserção social e reabilitação profissional

Com o primeiro surto, indica-se a internação. Mas, com os sintomas sob controle, o paciente pode ir para casa passando ao tratamento ambulatorial, feito diariamente no hospital. Novas internações, em geral, são necessárias se o paciente recusa-se a tomar medicamento e entra em novo surto. Essa realidade de tratamento fora de um sistema fechado é recente no Brasil, graças à Reforma Psiquiátrica, amparada pela lei 10.216, de 2001, que trata ‘’da proteção e dos direitos das pessoas portadoras de transtornos psíquicos e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Com ela, ao invés do isolamento, o convívio na família e na comunidade é estimulado e o atendimento feito nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) - residências terapêuticas, ambulatórios, hospitais gerais e centros de convivência - com o objetivo de recuperar a capacidade social dos pacientes'’.

‘’Avançamos muito no tratamento das doenças de saúde mental de 20 anos para cá, com os medicamentos e a reforma psiquiátrica. Mas esses centros precisam deixar de ser um posto de atendimento, como acontece muitas vezes, para se tornarem um local de trabalho cotidiano de socialização e recuperação da autoestima, tendo espaço para atender a todos os usuários'’, diz o dr. Palmeira. Acredita-se que 12% da população necessita de algum atendimento em saúde mental, contínuo ou eventual.

Exemplo de trabalho social - Em Guarulhos, na Grande São Paulo, as pessoas adultas, de baixa renda, portadoras de transtornos mentais e clinicamente estáveis são encaminhadas por profissionais da rede de saúde mental do município (principalmente o CAPs) ao Projeto Tear - Oficinas de Trabalho, Terapia e Arte, onde frequentam, de segunda a sexta, em horário comercial. Com quase seis anos de atividade, é uma iniciativa privada da Pfizer, em parceria com a Prefeitura de Guarulhos e a Associação Cornélia Vlieg, com a finalidade de reabilitar essas pessoas, fortalecer o relacionamento e inseri-las novamente no mercado de trabalho por meio de oficinas oferecidas: gráfica, reciclagem de papel, vitral, mosaico, marcenaria, velas artesanais, tear, serigrafia e personalização.

Os objetos de artesanato produzidos por eles são comercializados e o valor arrecadado é revertido em prol dos usuários. Os participantes são avaliados por assiduidade, iniciativa, criatividade, relação com o grupo e desempenho e recebem uma ‘’bolsa oficina'’. Além da recuperação da autoestima e do melhor convívio social, o trabalho nas oficinas gera renda e mostra, na prática, como é possível a reabilitação.

‘’Os familiares e até mesmo os portadores do sofrimento psíquico ficam admirados com o desenvolvimento do potencial artístico: do que são capazes de fazer'’, conta a psicóloga e coordenadora do projeto, Valéria Bianchini. No ano passado, 16% dos usuários foram inclusos no mercado de trabalho.

Casos reais

John Nash
Matemático norte-americano, ganhador do Prêmio Nobel de Economia. Sua biografia foi retratada no filme Uma Mente Brilhante.

Jack Kerouac
Escritor americano, autor do livro On the Road (Pé na Estrada)

Brian Wilson
Norte-americano fundador da banda Beach Boys, e principal compositor americano na década de 1960.

Syd Barrett
Músico inglês, ex- guitarrista do grupo Pink Floyd, um dos criadores da banda e principal compositor

Antonin Artaud
Poeta e dramaturgo francês, autor de O Teatro e seu Duplo, uma das principais obras sobre o teatro

Arthur Bispo do Rosário
Artista plástico brasileiro, nascido em Sergipe, criador da obra Manto da Apresentação

Vaslav Nijinski
Bailarino russo da companhia de balé de Sergei Diaghilev e coreógrafo

 

Por Roberta Viganó

http://contigo.abril.com.br/reportagem/realidade-ficcao-ficcao-realidade-esquizofrenia-470468.shtml

Administrator @ 7:21 pm
Arquivado sob: Notícias em Português and abril.com
Caminho das Índias: Especialista inocenta família por doença de Tarso

Posted on Terça-feira 12 Maio 2009

Familia
Melissa, Ramiro e Tarso, personagens de Caminho das Índias
Em 23 de maio, a Abre (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia) promove, em São Paulo, a 19ª edição do encontro Conversando Sobre a Esquizofrenia, evento gratuito e aberto ao público, feito por profissionais da saúde, familiares e portadores de esquizofrenia. O objetivo é, entre outras coisas, jogar luz sobre um assunto que, na novela Caminho das Índias, da Globo, vem sendo tratado sob a ótica da ficção.

Em conversa com O Fuxico, Jorge Cândido de Assis, que há 24 anos convive com a esquizofrenia e hoje é autor do livro livro Entre a Razão e Ilusão: Desmistificando a Loucura (Ed. Segmento Farma, 2008), conta tudo sobre a doença que vem assombrando Tarso, o atormentado jovem vivido por Bruno Gagliasso. Ele, que também é especialista do Proesq (Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo), afirma que Tarso tem Transtorno Psicótico Agudo, e não esquizofrenia, como vem sendo divulgado.

"O fato de a novela precisar de uma linguagem digerível ao grande público, talvez seja um dos motivos para que a esquizofrenia não se mostre como realmente é. O que o telespectador vê não condiz com a realidade. Na verdade, o Tarso nem esquizofrenia tem ainda. Mas, para que a trama da novela ganhasse sentido, houve um diagnóstico precipitado de esquizofrenia", diz o especialista.

Mais: a família não tem culpa da doença do jovem e Tônia (Marjorie Estiano), infelizmente, ainda terá muito que sofrer, caso decida continuar namorando o rapaz.

Confira os principais trechos da entrevista, concedida com exclusividade a O Fuxico:

Família redimida

A novela passa a imagem de que uma família desestruturada pode causar esquizofrenia. Essa ideia não é verdadeira. A mãe (Melissa, interpretada por Christiane Torloni) e o pai (Ramiro, vivido por Humberto Martins) não têm culpa alguma. O neurodesenvolvimento da esquizofrenia está associado a diversos fatores, como problemas no parto, variações genéticas e conjunto de fatores que tornam o corpo mais vulnerável. A primeira crise de esquizofrenia ocorre quando a pessoa tem entre 18 e 35 anos, e após sofrer um fator desencadeante do problema, que é como se fosse uma espécie de gatilho. Esse gatilho pode ser o uso de drogas, a morte ou a perda de alguém querido e até pressão familiar. Mas, vamos deixar bem claro: se fosse uma outra pessoa, a esquizofrenia ou doença mental não apareceria. Outro jovem lidaria bem com aquelas cobranças do Ramiro e da Melissa, dando as respostas apropriadas ou se revoltando.

Tonia
Tônia, interpretada por Marjorie Estiano
Tônia

Agora, vamos sair da parte técnica e entrar no campo da opinião. Desde os 22 anos de idade, convivo com a esquizofrenia e com outros doentes. A grande maioria das pessoas só enfrenta problemas tão graves após o relacionamento estar consolidado, o que não foi o caso da Tônia (Marjorie Estiano), que o conheceu pouco antes de sua primeira crise. O amor de Tarso com ela, na vida real, seria muito mais complicado do que a novela vem mostrando. Pense que, em vez de sair todos os dias para se divertir com o namorado, ela irá até ele para resolver problemas. Apesar disso, é um amor possível, porém, bem difícil e improvável. Sendo realista, no momento em que a doença de Tarso está, o que ele precisa é de tratamento e resgatar a própria vida, para só depois pensar em uma relação duradoura.

A doença de Tarso

Pelo que vem sendo mostrado até agora, Tarso tem o que os especialistas chamam de Transtorno Psicótico Agudo. Só depois de seis meses de acompanhamento contínuo é que os médicos podem fazer uma avaliação, para saber se o diagnóstico é ou não esquizofrenia. Na cena em que ele foi hospitalizado, após uma crise na rua, mostra-se claramente um episódio psicótico agudo. Na verdade, nem dá para dizer o que ele tem ainda. No futuro, poderia evoluir para transtorno bipolar. Mas, para que a trama da novela ganhasse sentido, houve o diagnóstico precipitado de esquizofrenia. Outro ponto que deveria ser deixado claro, é que a doença nunca acontece de um dia para o outro.

Vozes e imagens

Tarso frequentemente diz que está vendo alguém que o persegue. Mas, a esquizofrenia não é assim. É muito raro os esquizofrênicos verem imagens nítidas de alguém. Não é comum ver pessoas, mas vultos são frequentes. O doente pode ouvir uma voz ou várias ao mesmo tempo, sempre fazendo comentários sobre o comportamento dele. O conteúdo das vozes tem a ver com a história da pessoa. Embora as vozes não sejam escutadas por mais ninguém, o processo é bem real. Existem pesquisas, com exame de neuroimagem, que mostram que a parte do cérebro que processa a audição funciona durante essa crise.

Glória Perez

Apesar de não retratar a realidade, a linguagem utilizada por Glória Perez tem vários pontos positivos. O personagem Tarso tem algo muito bom, que é mostrar a questão da discriminação que, por sua vez, se baseia em um total desconhecimento da população em relação à doença.

O que a gente (quem tem esquizofrenia) percebe, é que existe uma linguagem na novela necessária para que a doença seja aceita pela população. Acho importante falar também de Sidney Sampaio [ator que intepreta Ademir, filho de Cema (Neusa Borges) e irmão de Maico (Mussunzinho)]. Ele interpreta um doente mental diferente de Tarso, por sua situação econômica e social, classificadas por muitos como inferiores.

A novela mostra que a esquizofrenia está em todas as classes, tanto na alta quanto na baixa. Outro ponto positivo é que o Bruno Gagliasso é um excelente ator que, com sua interpretação sincera, está despertando a atenção para uma doença que, no Brasil, é desconhecida e carregada de preconceitos, mesmo sendo mais comum do que a Aids. Para se ter uma ideia, a incidência de esquizofrenia é de cerca de 0,7% na população brasileira. É um número muito expressivo, para uma doença tão grave.

Realidade Sombria

A realidade do que os esquizofrênicos vivem, de fato, na pele, é diferente do que é mostrado na novela. Na verdade, existem diferenças importantes. São elas: 1) quando entra em crise, o doente não tem momentos de memória e de lucidez, como o Tarso. É uma coisa (crise) contínua, que pode demorar de 15 dias a um mês, dependendo de cada caso; 2) Uma coisa que a novela não retrata é que a pessoa, quando entra em crise, precisa de internação breve, e que isso não é punição. O personagem, provavelmente, vai passar a novela inteira sem mostrar esse lado da realidade, que existe e é necessário, não é maldade da família; 3) Outra coisa que é dita de maneira um pouco fora da realidade é o uso da medicação, que só pode ser administrada por um profissional muito especializado. O acompanhamento é muito próximo, pois as drogas usadas afetam o sistema nervoso central. A doença não é tão romântica como, às vezes, o psiquatria intepretado por Stênio Garcia dá a entender. E o tratamento não é igual ao de um doente com diabetes.

A esquizofrenia é uma síndrome que tem cinco subtipos. Não é uma coisa única. E, dentro desse grupo de doenças, há variação no prognóstico. Mais ou menos 14% têm uma única crise durante toda a vida, ficando livre dela depois. Cerca de 42,5% têm períodos de crises, que alteram profundamente o mecanismo do cérebro. Mesmo o medicamento só fazendo efeito depois de dias, após a crise, o doente volta a enxergar o mundo do jeito que ele é. O restante desse grupo, infelizmente, tem perda cognitiva e de funcionamento do cérebro. Em resumo, a cada crise, ele piora mais. O grande desafio é manter a pessoa estável e prevenir outras crises, pois existe uma perda gradual das funções.

Suicídio

Na esquizofrenia, em média 50% das pessoas tentam o suicídio e 10% têm sucesso. Em geral, isso acontece quando a pessoa cai em si e se dá conta de que tem uma doença mental grave, para a vida inteira. Por isso, é preciso um constante acompanhamento do humor do paciente. Caso o diagnóstico de Tarso realmente seja esquizofrenia, ele fica sujeito também a esse problema.

Serviço:

Para saber mais sobre esquizofrenia e sobre Tarso, acesse:

Abre (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia): http://www.abrebrasil.org.br/ - (11) 5533-1789

Bruno Gagliasso: http://gagliassoblog.com/ (blog criado pelo ator para discutir a doença de Tarso)

 

Por Kathia Natalie

http://ofuxico.terra.com.br/materia/noticia/2009/05/05/especialista-inocenta-familia-por-doenca-de-tarso-111537.htm

Administrator @ 8:03 am
Arquivado sob: Notícias em Português and terra.com.br