Apesar da herança genética ser um dos factores determinantes da esquizofrenia, os factores ambientais também influem no aparecimento desta doença mental crónica.
Segundo um estudo publicado esta quarta-feira na revista Archives of General Psychiatry, indivíduos que passam os seus primeiros 15 anos de vida numa área urbana estão três vezes mais sujeitos a sofrer desta patologia do que aqueles que vivem em meios rurais.
Investigadores da Universidade de Aarhus (Dinamarca) chegaram a esta conclusão após observar, em quase dois milhões de dinamarqueses, dados como onde tinham nascido e sido criados assim como os antecedentes familiares de doenças mentais.
As povoações foram catalogadas em cinco níveis, segundo a densidade populacional.
Os dinamarqueses que vivem nas cidades não só têm um maior perigo de sofrer desta doença como também, verificaram os autores do estudo, o risco aumenta consoante o número de anos passados em zonas urbanas e com o aumento das urbanizações.
Os resultados vieram comprovar um outro recente estudo que advertia para os «perigos» de viver na cidade. Segundo investigadores da Universidade de Maastrich (Holanda), os «cosmopolitas» sofrem de mais desordens mentais – como paranóia, mania de perseguição e alucinações auditivas – dos que vivem em pequenas povoações.
Segundo os autores dinamarqueses, a influência da grande cidade na esquizofrenia pode dever-se a múltiplas causas, como as complicações durante o parto, as dietas, as infecções e, inclusivamente, a exposição a materiais tóxicos.
Outro dos factores relacionados com a esquizofrenia – que afecta aproximadamente 1% da população mundial – é o estatuto social. Segundo uma investigação publicada no número de Outubro do British Journal of Psychiatry, o nível económico influi no desenvolvimento desta patologia.
Durante dois anos, os autores do estudo observaram 168 pacientes com idades compreendidas entre os 16 e os 64 anos. Deste modo, constataram que as pessoas cujos progenitores provinham de uma classe social mais baixa – determinada pela profissão – e os que tinham nascido em áreas «deprimidas» - baseado no local ode vivia a mãe quando nasceram – correm o dobro do risco de sofrer de esquizofrenia.
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