Dois novos estudos identificaram a actividade genética que parece estar associada à esquizofrenia. Os cientistas descobriram que o problema está em dois genes do cromossoma 22.
As duas pesquisas serão publicadas na edição de 19 de março da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
No primeiro trabalho, realizado na Universidade Rockefeller, os investigadores analisaram amostras de ADN pertencentes a mais de 200 doentes esquizofrénicos, aos seus pais e a um grupo de homens e mulheres saudáveis. Entre os voluntários foram incluídos portadores de esquizofrenia infantil, forma rara da doença que se manifesta por volta dos 13 anos.
Os dois genes são o PRODH2, que codifica uma enzima cerebral comum, e o DGCR6, que está associado ao desenvolvimento do sistema nervoso. Determinadas variações no PRODH2 pareceram ser mais comuns nos pacientes com esquizofrenia que nas outras pessoas, embora os investigadores não tenham conseguido excluir a influência do DGCR6.
«As alterações nos genes estavam super-representadas nos portadores de esquizofrenia, em comparação com as pessoas saudáveis», afirmou a coordenadora da equipa, Maria Karayiorgou.
Espera-se que essas conclusões possam levar os fabricantes de medicamentos a desenvolver tratamentos mais eficientes, declarou a coordenadora do estudo.
«É preciso trabalhar mais até que tenhamos um perfil genético da variação que poderia contribuir para o surgimento da esquizofrenia em determinada pessoa», disse a especialista. Os investigadores deram prioridade ao cromossoma 22 porque considera-se que as pessoas com supressão ou danos nessa porção do ADN têm um risco 30 vezes maior de desenvolver a doença.
No segundo estudo, a equipa de Sabine Bahn, do Instituto Babraham, localizado em Cambridge (Reino Unido), também encontrou genes do cromossoma 22 que podem influenciar o aparecimento da esquizofrenia.
O grupo de Bahn analisou tecido cerebral de pacientes mortos que tinham esquizofrenia e comparou esse material com amostras semelhantes retiradas de pessoas saudáveis e de portadores de outras doenças psiquiátricas.
Nos doentes com esquizofrenia, a expressão dos genes que produzem a apolipoproteína L1, proteína codificada por genes da chamada família apo L, era três vezes maior. Esses genes têm uma função importante no transporte de colesterol no organismo. O colesterol é essencial para o cérebro adulto e também durante a fase inicial de desenvolvimento desse órgão.
As descobertas «deixaram-nos confiantes para sugerir que as anomalias na expressão desses genes podem estar envolvidas na génese da esquizofrenia», disseram os cientistas.
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