Apesar desta conclusão, os especialistas da Universidade de Columbia e do Instituto Pediátrico de Nova Iorque são prudentes admitindo serem necessários mais estudos para descobrir os mecanismos desta relação.
Os investigadores sugerem que esta situação poderá estar relacionada com os anticorpos gerados pelo organismo para lutar contra a infecção mais do que o próprio agente, o vírus da gripe, em si.
«Sabe-se que o vírus influenza não atravessa a placenta», explicou o médico Alan S. Brown, um dos autores deste estudo, admitindo, por isso, que talvez sejam os anticorpos gerados pela mãe que cheguem ao feto e interajam com os seus anticorpos, influenciado o desenvolvimento cerebral do bebé e aumentando a sua vulnerabilidade à esquizofrenia.
Neste estudo, os cientistas mediram os anticorpos do vírus da gripe presentes no sangue de 64 grávidas entre 1959 e 1966 cujos descendentes desenvolveram esquizofrenia na vida adulta. As amostras foram comparadas com as de um grupo de 125 gestantes cujos filhos não sofreram da doença.
Verificou-se que o risco de padecer desta doença era sete vezes maior se o contacto com o vírus se desse nos primeiros três meses de gravidez.
Segundo os cálculos destes especialistas, 14% dos casos de esquizofrenia poderiam ser evitados se houvesse uma adequada prevenção do contágio da gripe nos primeiros meses de gravidez.
Porém, reconhecem ser necessário continuar com as investigações para não chegar a conclusões precipitadas.
http://diariodigital.sapo.pt/news_history.asp?section_id=0&id_news=136023