Correio da Manhã – Qual a importância, em termos sociais, de uma doença como a esquizofrenia?
Pedro Afonso – A esquizofrenia é uma doença que atinge cerca de 1% da população e que habitalmente surge no final da adolescência, início da vida adulta. Pensamos que existam, no nosso país, cerca de 100 mil pessoas atingidas, o que é um valor bastante elevado e, por isso, significativo, em termos sociais. Resulta em sofrimento para os seus portadores, como também para as suas famílias.
– Existe possibilidade de os doentes levarem uma vida normal?
– Não podemos afirmar que seja totalmente normal, porque a doença mantém-se. Contudo, nos últimos anos, têm sido feitos enormes avanços na terapêutica farmacológica, o que permitiu elevar muito o nível das expectativas na reabilitação destes doentes.
– Para as famílias, o peso da doença deve ser também elevado. Da sua experiência, o abandono familiar é uma constante?
– Felizmente temos conseguido inverter essa situação. Antigamente, muitos destes doentes ficavam internados nos hospitais psiquiátricos para toda a vida. Felizmente, essa mentalidade alterou-se.
– De que forma é possível lutar contra o estigma que se cria à volta destes doentes?
– A informação é a melhor forma de combater o estigma e os medos que infelizmente ainda existem à volta da doença mental.
– Qual é a mensagem que gostava de deixar para o Dia Mundial da Saúde Mental?
– A primeira mensagem deixo-a para os responsáveis políticos: falta estratégia nacional de saúde mental. Os hospitais psiquiátricos, tal como estão, são obsoletos e ineficazes. A segunda é de esperança para doentes e familiares. Temos assistido a inúmeros avanços ao nível do tratamento, com o aparecimento de novos medicamentos. É uma área em que se está a investigar muito e ainda bem.
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