Três em cada quatro portugueses com esquizofrenia estão empregados, muitos deles sem necessidade, defendeu hoje o presidente da Associação de Educação e Apoio na Esquizofrenia (AEAPE), José Jara, que apelou a uma sensibilização das empresas.
«Os sectores público e privado devem estar sensibilizados para o facto de muitos destes doentes terem capacidade para pertencerem à população activa», defendeu José Jara, que é também psiquiatra no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa.
Para o psiquiatra, o facto de não existir qualquer protecção a nível profissional na legislação nacional que beneficie os doentes mentais obriga a uma «luta contra o estigma» e no sentido de criar novas oportunidades.
Para colmatar os principais problemas de atenção e memória decorrentes da doença psiquiátrica, a associação lembra a existência de tratamentos adequados que permitem aos pacientes terem uma vida activa a nível profissional e pessoal.
Segundo a AEAPE, o tratamento farmacológico é fundamental e deve ser combinado com intervenção psicossocial, como psicoterapia, reabilitação e aprendizagem social.
A esquizofrenia, que afecta 1% da população em todo o mundo, é a doença com maior incidência entre os portugueses com perturbações psiquiátricas, representando cerca de 70% nesta população, segundo o último censo psiquiátrico realizado.
Anualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde, surgem entre sete e 14 novos casos em cada 100 mil habitantes, com idades compreendidas entre os 15 e os 54 anos.
O início da doença é geralmente precoce, afectando jovens entre os 16 e os 25 anos, com o registo de problemas cognitivos e afectivos. Os pacientes têm alucinações, delírios e alterações nas capacidades de comunicação, afectos e pensamento.
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