O trabalho, desenvolvido no Instituto Nacional para a Saúde Mental dos Estados Unidos, em Bethesda, no Estado de Maryland, indica que a esquizofrenia, uma condição psicótica que afecta cerca de 60 milhões de pessoas no mundo, pode ser o risco que determinadas pessoas têm de correr no desenvolvimento extraordinário de capacidades intelectuais.
A investigação, publicada no Journal of Clinical Investigation, sugere que alguns dos factores genéticos que envolvem as capacidades cognitivas podem apresentar problemas, deixando uma parte dos indivíduos com maior probabilidades de ter problemas mentais.
Os investigadores examinaram uma variação comum de um gene, o DARPP-32, que faz com que a região do cérebro responsável pelo raciocínio mais sofisticado seja mais eficiente, melhorando o processo de transmissão de informações.
Contudo, o gene também foi ligado a funções cerebrais registadas em pacientes com esquizofrenia. Uma investigação em 257 famílias com historial de esquizofrenia mostrou que o gene é bastante comum entre pessoas com a doença.
O gene aumenta a capacidade de processamento de informação e, quando o cérebro funciona normalmente, o indivíduo ganha flexibilidade para pensar e um melhor desempenho da memória.
Entretanto, outros genes e as condições de vida do indivíduo podem fazer com que o cérebro encontre dificuldades para gerir aquele ganho, levando a um efeito colateral. «Seria o equivalente neurológico de uma mega-auto-estrada terminando num beco sem saída», comparou o pesquisador Daniel Weinberger, em entrevista ao jornal britânico The Times.
A esquizofrenia é uma condição que pode causar alucinações e delírios e que, em casos muito graves, pode fazer com que o paciente se torne incapaz de interagir socialmente com outras pessoas. Estima-se que cerca de 1% da população do mundo tenha sintomas da doença.
Na história, há vários exemplos de nomes famosos que foram diagnosticados como esquizofrénicos, como o matemático John Forbes Nash - retratado no filme «Uma Mente Brilhante» -, o músico Syd Barrett, ex-guitarrista do grupo Pink Floyd, o escritor norte-americano Jack Kerouac e o poeta e dramaturgo francês Antonin Artaud.
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