PORTUGAL: Saúde mental mais acessível

Posted on Domingo 11 Outubro 2009

Cuidados vão seguir critério de proximidade. Portugal com mais riscos entre parceiros europeus.

À parte só vão ficar estruturas para a psiquiatria forense. De resto, todo o apoio a problemas de saúde mental vai ser inserido nos hospitais gerais e centros de saúde, residências e visitas domiciliárias. O plano está completo.

O balanço foi ontem feito, em dia que assinalou mundialmente a saúde mental. Ao cabo de mais de duas décadas, está pronto o "edifício" organizativo que enquadra os cuidados de saúde mental. Em sessão pública, na Fundação Gulbenkian, responsáveis por diversos patamares de decisão no Ministério da Saúde garantiram que agora é que se pode mesmo avançar para a detecção, tratamento e continuidade de cuidados, aproximando a assistência em psiquiatria das populações. A isso vão ser chamados centros de saúde, unidades de saúde familiar e hospitais gerais, estes últimos através de consultas ou também internamento. Acesso fácil consta do compromisso oficial.

Disse-nos Caldas de Almeida, coodenador nacional para a saúde mental, que está agora a ser feito um estudo sobre a prevalência de problemas deste foro na população portuguesa. A este psiquiatra não bastam os indícios revelados pelo consumo elevado de psicofármacos no nosso país. "Em cada cultura as pessoas têm formas diferentes de exprimir as suas queixas", afirma, para referir um estudo europeu. Neste, figuramos como o país de maior risco na Europa. Caldas de Almeida alvitra explicações: "Pode haver componentes a estimular a doença mental; pobres, idosos, mulheres e desempregados estão mais vulneráveis que noutros países."

Cuidados continuados neste plano: isso é o que a reforma dos cuidados em saúde mental procurou estabelecer. A reforma andou em avanços e recuos desde os anos 80, numa perda de tempo que nos distanciou de outros países mais de 20 anos. Pelo meio houve medidas como "o fecho catastrófico dos Centros de Saúde Mental em todo o país", segundo referiu João Sennfeld, psiquiatra que vem prestando assessoria à nova fórmula de assistência, que assenta muito na detecção de problemas pelo médico de família, com referenciação para os especialistas. João Sennfeld enalteceu os planos de formação conjunta entre médicos de família e psiquiatras, previstos ou já em andamento. Mas logo deixou cair um aviso: as Unidades de Saúde Familiar (USF) mostram pouca abertura aos serviços comunitários (os de aproximação aos doentes no seu meio, inclusivé doméstico). E logo deixou outro aviso: "Os nosso médicos não são iguais aos de ortopedia ou cardiologia; não nos podem proibir de sair dos hospitais, precisamos de autonomia". Já antes, Caldas de Almeida defendera aspectos muito práticos: "Precisamos de pessoas que vão a casa do doente, que tenham carro para lá ir e isso não se faz sem condições dignas nem a esmolar um gabinete no Centro de Saúde".

por EDUARDA FERREIRA

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1386770


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