PORTUGAL: Doenças mentais têm custos altos

Posted on Quinta-feira 25 Fevereiro 2010

As pessoas com doenças psiquiátricas, que afectam todos os anos 12% da população europeia, perdem anualmente entre 70 e 140 dias de trabalho, o que representa "custos enormes", segundo o coordenador nacional da saúde mental.

"A maior parte dos custos deve-se à perda de produtividade", afirmou o comissário do Fórum Gulbenkian da Sáúde, na sessão de abertura da conferência subordinada ao tema "Mind Faces - As diferentes faces da saúde mental", a decorrer em Lisboa.

A Comissão Europeia estima que os países europeus gastem três a quatro por cento do Produto Interno Bruto (PIB) devido às consequências destas doenças.

Presente no fórum, a ministra da Saúde, Ana Jorge, acrescentou que as doenças mentais são responsáveis por elevados custos para a sociedade, em termos de incapacidade individual e diminuição de produtividade no trabalho.

As doenças mentais são responsáveis por 24% do tempo de vida perdido (do total de todas as doenças), porque as pessoas morreram prematuramente ou ficaram incapacitadas.

- Cinco barreiras
APOIO POLÍTICO ESCASSO
O apoio político para as doenças psiquiátricas é baixo, tanto em Portugal como no resto do Mundo.

CENTRALIZAÇÃO DE RECURSOS
Em Portugal, 83% dos recursos estão centrados nas grandes instituições hospitalares, nos centros urbanos.

DIFICULDADES DE INTEGRAÇÃO
Caldas de Almeida, coordenador nacional da saúde mental, aponta ainda dificuldades de integração da saúde mental nos cuidados primários.

FALTA DE SENSIBILIDADE
Há falta de sensibilidade dos líderes da saúde mental para a saúde pública.

POUCO INVESTIMENTO
Há pouco investimento em serviços especializados de saúde mental mais próximos da população.

Caldas de Almeida ressalvou que estes dados são a nível europeu e anunciou que, no dia 23 de Março, será apresentado o primeiro estudo nacional de saúde mental em Portugal.

"A magnitude dos problemas de saúde mental em Portugal, bem como o seu impacto e a forma como são tratados pelos serviços vão ser conhecidos pela primeira vez", sublinhou.

Apesar de os dados do estudo ainda estarem a ser analisados, o psiquiatra avançou que os resultados são semelhantes aos dos países europeus.

Um estudo com metodologia semelhante feito em seis países europeus revela que há uma percentagem significativa de doenças psiquiátricas: 26% das pessoas sofrem deste problema ao longo da vida e 12% no último ano.

O coordenador do Plano Nacional de Saúde Mental salientou que, apesar de todos os avanços registados nesta área, há resultados "muito preocupantes". Um estudo recente mostrou que 48% das pessoas que necessitariam de cuidados não têm acesso aos tratamentos de saúde mental, enquanto, por exemplo, apenas 8% dos diabéticos estão nesta situação.

O apoio político para estas doenças é baixo em todo o mundo e a maior parte dos serviços estão concentrados nos centros urbanos.


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