As pessoas com doenças psiquiátricas, que afectam todos os anos 12% da população europeia, perdem anualmente entre 70 e 140 dias de trabalho, o que representa "custos enormes", segundo o coordenador nacional da saúde mental.
"A maior parte dos custos deve-se à perda de produtividade", afirmou o comissário do Fórum Gulbenkian da Sáúde, na sessão de abertura da conferência subordinada ao tema "Mind Faces - As diferentes faces da saúde mental", a decorrer em Lisboa.
A Comissão Europeia estima que os países europeus gastem três a quatro por cento do Produto Interno Bruto (PIB) devido às consequências destas doenças.
Presente no fórum, a ministra da Saúde, Ana Jorge, acrescentou que as doenças mentais são responsáveis por elevados custos para a sociedade, em termos de incapacidade individual e diminuição de produtividade no trabalho.
As doenças mentais são responsáveis por 24% do tempo de vida perdido (do total de todas as doenças), porque as pessoas morreram prematuramente ou ficaram incapacitadas.
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- Cinco barreiras CENTRALIZAÇÃO DE RECURSOS DIFICULDADES DE INTEGRAÇÃO FALTA DE SENSIBILIDADE POUCO INVESTIMENTO |
Caldas de Almeida ressalvou que estes dados são a nível europeu e anunciou que, no dia 23 de Março, será apresentado o primeiro estudo nacional de saúde mental em Portugal.
"A magnitude dos problemas de saúde mental em Portugal, bem como o seu impacto e a forma como são tratados pelos serviços vão ser conhecidos pela primeira vez", sublinhou.
Apesar de os dados do estudo ainda estarem a ser analisados, o psiquiatra avançou que os resultados são semelhantes aos dos países europeus.
Um estudo com metodologia semelhante feito em seis países europeus revela que há uma percentagem significativa de doenças psiquiátricas: 26% das pessoas sofrem deste problema ao longo da vida e 12% no último ano.
O coordenador do Plano Nacional de Saúde Mental salientou que, apesar de todos os avanços registados nesta área, há resultados "muito preocupantes". Um estudo recente mostrou que 48% das pessoas que necessitariam de cuidados não têm acesso aos tratamentos de saúde mental, enquanto, por exemplo, apenas 8% dos diabéticos estão nesta situação.
O apoio político para estas doenças é baixo em todo o mundo e a maior parte dos serviços estão concentrados nos centros urbanos.
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